Ao longo de 2008, o setor calçadista contabilizou quedas consecutivas no volume de embarques, que culminou com uma redução de 6,4% no acumulado de todo o ano. Em doze meses foram embarcados 165,7 milhões de pares. Em 2007, haviam sido 177 milhões de pares.
Já o faturamento manteve um relativo equilíbrio, apesar de também manter-se no negativo. As divisas de 2008 somaram US$ 1,8 bilhão, apresentando déficit de 1,6% em relação ao ano anterior, quando as cifras atingiram US$ 1,9 bilhão. O preço médio, por sua vez, registrou uma elevação de 5,1%. Os importadores pagaram uma média de US$ 10,80 o par 2008, enquanto em 2007 o valor foi de US$ 11,35. Os números são da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com base nos dados fornecidos pela Secretaria de Comércio Exterior, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Uma das principais razões da queda no volume de pares exportado foi a consecutiva redução de pedidos dos maiores compradores de calçados do Brasil, principalmente os Estados Unidos, que lideraram a lista. Os norte-americanos compraram 37,7 milhões de pares em 2008, uma retração de 23,2% ante 2007. O faturamento caiu 32,6%, ficando em US$ 483,8 milhões em 2008, contra US$ 717,4 milhões do ano anterior. Com isso, os EUA, que em 2007 detinham 27,7% do total dos embarques brasileiros, em 2008 contabilizou um declínio para 22,7% do volume exportado.
Balizando pelo volume físico, a vizinha Argentina ficou em segundo lugar no ranking dos importadores, com a aquisição de 18,5 milhões de pares no ano passado, pelos quais pagou US$ 192,9 milhões. Apesar dos limites de embarque impostos pelo governo argentino, houve alta de 1,5% em volume e 15,9% em divisas frente a 2007, quando os argentinos compraram 18,2 milhões de pares a US$ 166,4 milhões.
O Reino Unido figura em terceiro lugar, com a compra 10,2 milhões de pares a US$ 254,8 milhões. Frente aos números de 2007, foi registrada queda de 16,1% em pares (foram 12,1 milhões em 2007) e alta de 10,8% em faturamento (US$ 229,8 milhões no período anterior).
Em quarto lugar fica a Venezuela, que encerra o ano com números positivos. Adquiriu 9,7 milhões de pares de sapatos brasileiros, gerando US$ 77,6 milhões ao País. Com isso, foi constatado aumento de 0,9% em volume físico e 16,6% em termos monetários em relação a 2007, quando os venezuelanos compraram 9,6 milhões de pares, pelos quais pagaram US$ 66,5 milhões.
País com tradição na fabricação de calçados, a Itália passou a comprar também do Brasil. Foi o quinto maior comprador em 2008, com 7,4 milhões de pares, equivalentes a US$ 149,2 milhões. Este números representam alta de 36,5% no número de pares importados do Brasil e de 78,7% em divisas. Em 2007, os italianos haviam adquirido 5,4 milhões de pares a US$ 83,5 milhões.
Avaliando as exportações por tipo de calçado, de acordo com o Capítulo 64 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), o setor calçadista observa a mudança no tipo de calçado exportado pelo Brasil. Os calçados com cabedal (parte superior) em material sintético lideraram o volume de embarques, com 99,9 milhões de pares vendidos ao exterior em 2008. Houve um aumento de 16,2% em comparação com o ano anterior. Os calçados de couro, por sua vez, ficaram em segundo lugar, com 54,5 milhões de pares. Por muito tempo foram os principais itens exportados, mas registraram, em 2008, uma redução de 27,3% no volume, o que justifica a queda dos embarques do Rio Grande do Sul.
Em terceiro aparecem os têxteis, com 8,1 milhões de pares (queda de 35,6%), seguidos dos injetados, que embarcaram 2,3 milhões de pares, que apresentou um aumento de 5,8%. Outros tipos de calçados, sem classificação específica, exportaram 850,3 mil pares, que significou 30,2% a menos em comparação com 2007.
No desempenho financeiro, porém, os calçados com cabedal em couro despontaram. Em 2008, este nicho foi responsável por US$ 1,3 bilhão, ou seja, 69,1% do total obtido pelas exportações, que foi de US$ 1,881 bilhão. Os calçados de material sintético atingiram US$ 455,6 milhões (24,8% do total), seguidos pelos têxteis, com US$ 100,2 milhões. Os injetados somaram 12,3 milhões e outros tipos de calçados tiveram US$ 11,8 milhões como resultado.
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Durante ano passado foi possível verificar que o mapa das exportações vem se diversificando, sendo que o Nordeste do País ganhou bastante destaque. Prova disso é que o Ceará liderou o volume de calçados embarcados nos 12 meses do ano, sendo responsável por enviar ao exterior 57,3 milhões de pares, 34% do total exportado, o que equivaleu a US$ 346,3 milhões em faturamento. Esses números representam alta de 10,8% nos embarques e 15,5% em finanças em relação a 2007.
Já no extremo sul do País, o Rio Grande do Sul foi o primeiro em faturamento. Ao obter divisas na ordem de US$ 1,117 bilhão, ficou com 59% do total faturado no Brasil, que foi de US$ 1,881 bilhão. Tradicional exportador de calçados de couro, cujo valor agregado é maior, o Estado ficou na segunda posição em volume, com 51,4 milhões de pares enviados ao exterior. Mesmo estando no topo dos exportadores, apresentou números negativos, caindo 26,3% nos embarques e 8% em faturamento em comparação a 2007, quando exportou 69,8 milhões de pares e atingiu US$ 1,2 bilhão.
O Estado mais prejudicado foi São Paulo, que registrou queda de 32,3% em volume e 8% em faturamento, exportando 10,8 milhões de pares, equivalentes a US$ 185,4 milhões. Em 2007, os paulistas haviam enviado 15,9 milhões de pares ao exterior, atingindo a cifra de US$ 201,6 milhões. Outro tradicional exportador, o Estado de Minas Gerais, também ficou em desvantagem, com baixa de 24,5% em pares e 6,4% em divisas. Foram 1,4 milhões de pares e US$ 16,2 milhões de faturamento em 2008, contra 1,8 milhões de pares e US$ 17,3 milhões em 2007.
O Sergipe, por sua vez, foi o Estado que obteve maior crescimento no comércio exterior. Foram 37,9% de alta em volume e 57,7% a mais em faturamento. Em 2008, os sergipanos exportaram 1,7 milhão de pares e obtiveram US$ 14,9 milhões. Já em 2007, havia sido 1,2 milhão de pares e US$ 9,4 em resultados financeiros.
Em 2008, o continente europeu foi a região do Globo que mais pagou pelos calçados brasileiros e ficou em terceiro lugar no volume de pares importados. Segundo os dados da Abicalçados, a Europa foi responsável por 35,27% do total faturado pelo Brasil (US$ 1.881 bilhão) e pagou US$ 663,4 milhões pelos 37 milhões de pares adquiridos no ano passado. Isto significa uma fatia de 22,36% sobre o volume exportado pelas indústrias nacionais, que foi de 165,7 milhões.
Já a América do Norte ficou em segundo lugar tanto no volume quanto no faturamento. Ao comprar 46 milhões de pares, deteve o percentual de 27,76% e com 29,14% no faturamento, ao mandarem para o Brasil US$ 548,2 milhões.
A América do Sul liderou a importação do número de pares. Em 2008 comprou do Brasil 62,8 milhões de pares, detendo a fatia de 37,92% do total embarcado. Porém, ao importar os calçados a um preço médio de US$ 7,95, ficou em terceiro lugar entre os principais pagadores. Enviou para o Brasil divisas na ordem de US$ 499,7 milhões.
Em número de pares, as importações por parte do Brasil cresceram 37,2% em 2008, com a compra de 39,3 milhões de pares e 46,8% em finanças, com a marca de US$ 307,4 milhões. Em 2007, o Brasil havia importado 28,6 milhões de pares, pelos quais foram pagos US$ 209,4 milhões. A China foi responsável por 71,1% do total do volume de pares importado pelo Brasil. Os chineses enviaram 33,5 milhões de pares, que custaram US$ 218,7 milhões.
O segundo maior mercado foi o Vietnã, com 15,3% do total. O Brasil importou daquele país 3,2 milhões de pares a US$ 47 milhões. Já a Indonésia ficou em terceiro lugar no ranking, com cinco por cento do total, ao vender às lojas brasileiras um milhão de pares, que custaram US$ 15,4 milhões.
