Pesquisa de universidade americana, diz que as mulheres são menos preconceituosas na escolha sexual. Decepção com ideal romântico pode ter causado mudanças
Não é de hoje, que as mulheres estão mudando muitos paradigmas do mundo moderno. Desde o final dos anos 60, com a revolução feminista, que queimou sutiãs em praças públicas, a opinião das mulheres frente à sexualidade tem sofrido alterações constantes, e tem experimentado muito mais variações.
Uma pesquisa realizada recentemente nos Estados Unidos, mostrou que 15% das universitárias, entre 15 e 24 anos, já tiveram relação homossexual, mas a grande maioria das entrevistadas que disseram sim, alegaram não ser homossexual ou bissexual.
De acordo com a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, além de homossexuais e heterossexuais podem existir diversas opções sexuais intermediárias. “Essa situação de experimento é muito mais antiga do que se pensa. O que mudou foi a forma de a sociedade enxergar essa diversidade, com menos preconceito”, diz. Ainda segundo Carmita, a orientação sexual não é uma escolha, mas um fator biopsicossocial, influenciado pela hereditariedade e pelas experiências de vida de cada um.
Um dos motivos que pode levar mulheres a ingressarem em uma relação afetiva e de prazer com outras mulheres, sem considerar-se predominantemente homossexual, pode ser o romantismo característico do sexo feminino. “Muitas vezes a mulher se cansa do espírito masculino e consegue lidar melhor com suas inibições sexuais se estiver se relacionando com outra mulher”, afirmam os responsáveis pela pesquisa.
Segundos os pesquisadores, apesar de ocorrer com maior índice de relações entre as jovens, muitas mulheres passam anos casados com homens e depois de viúvas ou separadas, se entregam a um relacionamento homossexual. “Isso reforça aquela história de que a sexualidade é contínua. Não existe apenas o ser heterossexual, homossexual ou bissexual. É possível não gostar igualmente da mesma coisa em todas as fases da vida. E vale lembrar que nem toda mulher está aberta a experimentar, e é exatamente essa liberdade de poder ou não querer algo que faz a diferença”, diz a pesquisa.
