Justiça hamburguense absolve ex-empresária que matou irmã, sobrinha e marido em abril de 2009 e determina internação no Instituto Psiquiátrico Forense por três anos.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
Um dos crimes mais chocantes da história de Novo Hamburgo ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira, dia 11.
A ex-empresária Roselani Radaelli Picinini D´Ávila, 48 anos, foi considerada incapaz e absolvida pela Justiça. Não será submetida a júri popular pelas mortes do marido, da irmã e da sobrinha, confessadas no ano passado.
Para o juiz André Vorraber Costa, da 1.ª Vara Criminal hamburguense, Roselani era incapaz de entender a gravidade dos crimes. Ele determinou que a ré confessa permaneça internada no Instituto Psiquiátrico Forense, em Porto Alegre, por pelo menos três anos.
Em um ano e oito meses, a ex-empresária pode estar nas ruas novamente. É quando ocorre a primeira reavaliação médica determinada pela Justiça. Serão feitas a cada dois anos. Há a possibilidade, no entanto, de a internação ser perpétua, caso os médicos entendam que a cada reavaliação que ela não tem condições de ser reintegrada ao convívio em sociedade.
Vitória da defesa
A tese de insanidade mental foi sustentada pela defesa desde o início do processo. Se fosse à júri popular, Roselani D’Ávila poderia pegar de 30 a 90 anos de prisão pelo triplo homicídio que cometeu em 2009.
A sentença também está em acordo com o laudo médico do Instituto Psiquiátrico Forense, que sustenta a inimputabilidade da ré. O promotor José Nilton Costa de Souza afirmou ontem ao Jornal NH que vai recorrer ao Tribunal de Justiça. Ele quer júri popular.
Confira parte da sentença de 12 páginas expedida pela Justiça:
“A prova aponta, com bastante clareza, que as vítimas eram as pessoas mais próximas da acusada, do ponto de vista familiar, afetivo e de convívio. Eram, tudo indica, por quem mais nutria afeição, carinho e amor, revelando-se muito improtantes para si. Daí porque se afigura inadmissível que, de são consciência, atentaria contra suas vidas, da forma como efetivamente fez.”
Relembre o crime
Na manhã do dia 15 de abril de 2009, a polícia descobriu o assassinato de Flávio D’Ávila, Rosângela Radaelli Picinini de Freitas e Maria Francisca Radaelli de Freitas (ambas na foto), todos com facadas no pescoço. No Hospital Municipal de Novo Hamburgo, Roselani D’Ávila confessou ter matado o marido, a irmã e a sobrinha e depois tentar suicídio.
Em uma carta encontrada pelos policiais no apartamento onde a empresária morava com o marido,um luxuoso condomínio na rua Maurício Cardoso, ela diz que matava os familiares por não querer deixá-los sofrer sem dinheiro. As dívidas das empresas de calçado mantidas por ela e por Flávio chegariam a R$ 2 milhões. Roselani não suportava a idéia de desfazer-se de seus bens para saná-las.
FOTOS: reprodução / ZeroHora.com

