Decisão refletirá expectativa do governo com a crise. Tendência é de manutenção da taxa em 13,75%, mas ata na semana que vem deve indicar “viés” de baixa
Começa nesta terça, 9, a última reunião de 2008 do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central. O encontro vai durar dois dias. No final da tarde desta quarta, 10, sai a decisão sobre a Selic, taxa básica de juros da economia.
Em seus comunicados oficiais, além de informar a decisão sobre os juros, o comitê do BC dá ciência ao mercado sobre a tendência futura da taxa. A indicação vem expressa no termo “viés”. Pelos critérios do Copom, a taxa de juros pode vir sem viés, com viés de alta ou com viés de baixa. Não havendo uma redução imediata dos juros, pelo menos o viés teria de apontar a intenção de corte no início de 2009.
Em novembro, o índice oficial de inflação (IPCA), medido pelo IBGE, foi de exíguos 0,36%. O IGP-DI, aferido pela Fundação Getúlio Vargas, caiu de 1,09% em outubro para 0,07% em novembro. Meirelles e sua equipe não costumam brigar com estatísticas. Mas levam à balança, além dos índices de inflação, o comportamento do câmbio.
O avanço da cotação do dólar sobre o real, que já ocorria antes da crise global, acentuou-se a partir de outubro. Ganhou a aparência de uma maxidesvalorização que passa de 60%. A escalada da moeda americana resulta em aumento dos preços de produtos importados consumidos pelo brasileiro. Daí, em parte, o consevadorismo em relação aos juros.
