Empresa italiana pretende instalar na cidade de Portão uma unidade de transformação de resíduos sólidos cromados em fertilizantes orgânicos capaz de atender todo o Estado
Há algum tempo trabalhando para resolver os problemas dos efluentes líquidos, as indústrias de couro do Rio Grande do Sul agora estão perto de uma solução eficiente também para os resíduos sólidos. A empresa italiana Ilsa SPA pretende instalar em Portão uma unidade de transformação de resíduos sólidos cromados das indústrias do couro e calçadista em fertilizantes orgânicos.
A unidade no Vale do Sinos deve ter a capacidade para 30 mil toneladas/ano, suficiente para transformar em fertilizantes 100% dos resíduos sólidos cromados produzidos no Rio Grande do Sul. Para captar mais informações sobre esta atividade, na próxima semana um grupo gaúcho irá em missão a Itália para conhecer a tecnologia e a legislação européia em relação a resíduos do couro.
Um dos integrantes da missão, Leogenio Alban, vice-presidente da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul – AICSul, explica que “esperamos superar uma dificuldade legal para a implantação desta tecnologia no Brasil. Aqui o cromo é definido de forma genérica como nocivo ao meio ambiente. Na Europa, tem sua vedação de uso no solo apenas quando se trata do hexa valente, sendo permitida a aplicação quando é tri valente, que é o cromo existente no couro curtido”.
A missão deve ocorrer de 15 a 18 de setembro, e está sendo organizada pela Fiergs, com a participação do Governo do Estado (Secretaria do Meio Ambiente e Fepam); AICSul, CT Couro/Senai de Estância Velha; Ministério Público; Ministério da Agricultura; Caixa RS e UFRGS .
Roteiro da viagem à Itália
Dia 15 – Visita à Universidade de Bolonha, sendo recebidos pelo reitor Andrea Segre, conversando com professores desta instituições ligados a trabalhos científicos relacionados com aspectos produtivos, agronômicos e ambientais no uso de resíduos do couro. Conhecerão laboratórios e campos experimentais nesta área.
Dia 16 – Visita à área curtidora de Arzignano, conhecendo o Instituto Tecnológico do Couro da Itália; o sistema coletivo de tratamento de efluentes das indústrias de curtume; algumas indústrias do couro e a sede da empresa Ilsa SPA, detentora da tecnologia de transformação de resíduos sólidos cromados da indústria curtidora e calçadista em fertilizantes orgânicos.
Dia 17 – Visita ao incinerador de resíduos urbanos de Bréscia, o mais moderno da Europa, e a algumas indústrias de fertilizantes.
Dia 18 – Em Roma, estarão nos ministérios da Agricultura e Meio Ambiente. Visitarão também a Associação das Indústrias de Fertilizantes da Itália e a Câmara de Comércio Brasil-Itália.
