Senador que arrancou gravador das mãos de repórter diz que é perseguido pela imprensa e que tentou impedir manipulação.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
O senador Roberto Requião (PMDB-PR) justificou em plenário nesta terça-feira, dia 26, as ameaças contra um repórter da rádio Bandeirantes e o confisco de seu gravador como uma atitude de defesa contra a “manipulação” de suas palavras.
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Alegando ter percebido nas perguntas sobre a pensão que recebe como ex-governador do Paraná um tom de provocação, “ao estilo CQC”, Requião afirmou ter partido para a ação com o intuito de impedir que o jornalista “editasse a entrevista”. Depois, o parlamentar publicou o conteúdo na íntegra em seu site. “Quem quiser saber como foi a entrevista, acesse a página e ouça”, alega.
“Reconheço que ontem (segunda-feira) perdi a paciência”, disse o senador, acrescentando que é vítima de “bullying” – a palavra de origem inglesa que significa assédio e violência de uma pessoa mais forte. “Acho que é um momento correto para resolvermos esse problema e acabarmos com o abuso, com esse verdadeiro ‘bullying’ que sofremos, nós, os brasileiros, parlamentares ou não, nas mãos de uma imprensa, muitas vezes, absolutamente provocadora e irresponsável.”
Senador usa “direito de resposta”
Na segunda-feira, 25, ao entrevistar Requião, o repórter Victor Boyadjian (foto) perguntou sobre a aposentadoria de R$ 24 mil que ele tem como ex-governador do Paraná. Dizendo-se provocado, o parlamentar tomou o gravador do repórter, apagou seu cartão de memória e publicou a entrevista em seu site.
No discurso de terça, o senador faz uma espécie de direito de resposta. Conta sua versão para o episódio e afirma ter sido procurado pelo repórter para comentar “os riscos da alta da inflação”. “Respondi perguntas sobre o tema e na sequência o repórter busca vincular a inflação à pensão que eu recebo por ter sido três vezes governador do Paraná”, argumenta.
Em seguida, o Roberto Requião explica a irritação “Também respondi às perguntas dele sobre o assunto (pensão). Respondi uma, respondi duas, e na terceira vez, irritei-me com a insistência. Entendi que não era mais uma entrevista. Que havia, nas perguntas, doses de provocação. Ao estilo CQC, ou Pânico.”
Requião critica ainda as reportagens sobre o incidente, acusando parte da imprensa de “plantar ruídos que se afastam completamente da verdadeira natureza dos fatos”. Disse não ser verdade a versão de que teria se recusado a responder perguntas sobre a pensão e atacou os que o acusaram de tentar censurar a reportagem.
Sem mostrar arrependimento por seu ato, Requião citou Jesus Cristo para dizer que, muitas vezes, a indignação é uma virtude. “Às vezes eu perco a paciência. Ontem eu perdi a paciência. Talvez não devesse, mas perdi. Há momentos em que a paciência é virtude. Em outros, a virtude é a paciência. Há momentos, no entanto, que a indignação é santa, como foi santa a indignação do Cristo no conhecido episódio dos vendilhões do tempo.”
Informações de Estadão.com
FOTO: divulgação
