A idéia é sanear a área e ampliar reciclagem
A Prefeitura de Novo Hamburgo trabalha para modernizar, até março de 2009, a central de triagem, compostagem e transbordo do aterro do bairro Roselândia. O projeto de recuperação da área de 10 hectares receberá investimentos de R$ 6 milhões. O novo prédio abrigará a estação de chegada dos resíduos e contará com um garfo varredor, mesas para rasgar sacos plásticos, três esteiras, baias de coleta e uma área de transbordo. Além disso serão realizadas melhorias nas instalações para os associados da Cooperativa dos Recicladores de Novo Hamburgo (Cooprel), que trabalham na triagem dos resíduos.
Conforme o titular da Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Semap), Alvício Klaser Neto, as melhorias ampliarão para 2 mil metros quadrados a área da central de triagem, aperfeiçoando a logística de separação de resíduos. “As esteiras serão instaladas a dois metros de altura. Assim, o lixo que não é aproveitado já será descartado para o transbordo e depositado nos caminhões”, explica. O espaço para recepção dos resíduos será revestido em concreto e asfalto, de maneira a melhorar o seu manejo. As vias de circulação também serão asfaltadas e a drenagem pluvial será recuperada. Além disso, uma balança eletrônica com software de gestão, será instalada para pesar as carretas, controlando a saída e entrada de veículos e o fluxo de materiais. Após o lixo ser classificado, as sobras serão enviadas par Minas do Leão, onde é depositado o lixo da cidade.
Com a reforma da central de triagem, as baias de compostagem serão reativadas, produzindo adubo para ser comercializado. Também haverá um galpão exclusivo para coleta de vidros. A administração da cooperativa será transferida para um prédio mais adequado às necessidades dos associados.
Atualmente, o aterro dispõe de duas esteiras onde trabalham 80 associados da Cooprel. Quando a instalação das novas esteiras estiver concluída, poderão trabalhar no local 200 cooperativados, divididos em dois turnos. A pesagem dos caminhões que levam os resíduos para a Sil é realizada atualmente na Vila Pedreira, o que deve mudar quando a balança for instalada dentro da área do aterro. Hoje o município consegue destinar para reciclagem apenas 2% das 180 toneladas de lixo produzidas diariamente. Com a conclusão das obras do aterro, esse índice passará para 6%. “Em março o aterro oferecerá mais segurança, mais condições de higiene e irá gerar mais renda aos cooperativados, além de diminuir o volume de resíduos levados para Minas do Leão”, explica Klaser.
Aterro controlado

A outra etapa da revitalização do aterro é direcionada para o tratamento do lixo que está em estágio adiantado, resultado de um acúmulo de 20 anos. A quantidade de lixo produzida diariamente em Novo Hamburgo varia de 180 a 200 toneladas. Se tomarmos como base 180 toneladas/dia, existem cerca de 1.314.000 toneladas de lixo depositadas no aterro. Embora muitas pessoas se refiram ao aterro como sanitário, o engenheiro da Central de Projetos da Prefeitura, Waltemir Goldmeier, explica que o termo correto é controlado. “Um aterro sanitário não necessita de acompanhamento permanente, o que não é o caso de Novo Hamburgo. O aterro do bairro Roselândia precisa de monitoramento regular para não causar danos ao meio ambiente”, informa.
O projeto de recuperação da área contempla a instalação de chaminés (que já estão em atividade), drenagem de águas pluviais e construção de mais duas lagoas para tratamento de chorume, juntamente com as outras duas que já existem. As chaminés foram cravadas no alto da montanha de lixo para facilitar a saída dos gases produzidos pela decomposição dos materiais. O sistema de drenagem tem o objetivo de impedir que a água da chuva atinja os resíduos. A próxima fase será o plantio de gramíneas nos taludes, paredes que ficam ao redor do aterro sanitário. Com isso a área será recuperada, podendo em breve ser uma área apta para receber o plantio de árvores.
Planos para o futuro
O titular da Semap, ao relembrar da situação crítica que o aterro se encontrava, brinca. “Hoje podemos dizer que temos um aterro bonito”. Klaser projeta que num futuro próximo, o aterro sanitário da Roselândia poderá ser transformado num parque de visitação. “O local tem potencial para ser um pólo de referência sobre tratamento do lixo para as cidades do Vale do Rio dos Sinos”, comenta. Quando todas as obras de reestruturação estiverem concluídas, as escolas serão convidadas para conhecerem o trabalho da central de triagem. “As crianças têm um poder de transformação grande. Ensinando a elas hábitos saudáveis, como a separação do lixo seco e do molhado, toda a família dará a sua contribuição para cuidar do meio ambiente”, diz Klaser.
Entenda o caso
Quando o aterro sanitário do bairro Roselândia foi fechado em 2005, o quadro diagnosticado no local era grave. A realidade era mais de 12 mil toneladas de lixo estavam acumuladas ao redor do aterro e um escorregamento de parte do terreno, causado por erosão, além de mau cheiro que infestava todo o bairro. Na época, a solução encontrada pelo prefeito Jair Foscarini foi contratar a Sil, que passou a transportar diariamente para Minas do Leão cerca de 200 toneladas de lixo.
Atendendo o termo de compromisso ambiental firmado entre Novo Hamburgo e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), foi elaborado um projeto de revitalização da área. Em fevereiro de 2008, ocorreu a remoção das 12 mil toneladas de lixo, que preencheram 400 carretas de 30 metros cúbicos cada, representando um trabalho de um mês que envolveu a Secretaria de Serviços Urbanos (Semsu) e a Companhia Municipal de Urbanismo (Comur), além da própria Semap.

