Novas denúncias da revista Veja neste fim de semana agravam crise. Vice Paulo Feijó confirma denúncias.
Felipe de Oliveira – felipe@novohamburgo.org
É quase insustentável a condição da governadora Yeda Crusisus diante das denúncias de corrupção eleitoral que se abateram sobre o PSDB nos últimos 15 dias. Na edição deste fim de semana da revista Veja nova reportagem reforça os indícios de utilização de caixa 2 na campanha da tucana ao Palácio Piratini em 2006.
A publicação revela e-mails trocados entre o atual vice-governador Paulo Feijó (DEM) e um representante de uma revenda de veículos. O conteúdo seria doação de recursos à campanha não contabilizados. Feijó teria captado junto à Simpala R$ 25 mil e repassado ao tesoureiro da campanha, Rubens Bordini. Até aí nada de irregular. Contudo, os valores não aparecem na prestação de contas. Na semana passada, a Veja denunciou R$ 400 mil doados por indústrias fumageiras que também não teriam sido declarados.
Na madrugada de sábado a revista reproduz em sua página eletrônica um e-mail que teria sido trocando entre Feijó e Bordini. O vice-govenador afirma: “recebi R$ 25 mil em cash da Simpala. Está comigo”. Sem reproduzi-las, cita ainda outras mensagens em que quem falaria em nome da Simpala é o gerente de relações institucionais da GM, Marco Kraemer. Ele teria dito em e-mail enviado em setembro de 2006 que a suposta doação estava confirmada e que tentaria estar presente no momento em que o dinheiro seria entregue a Feijó.
Editorial condena reação de Yeda

As denúncias envolvendo o Governo Yeda ocuparam também a Carta ao Leitor da revista Veja. No espaço editorial a publicação condena a forma como a governadora reagiu à primeira reportagem. Critica Yeda por desqualificar as fontes. Entre elas a viúva do ex-representante do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, que fala sobre gravações nas quais o marido e Lair Ferst conversariam sobre suposto caixa 2 na campanha de 2006. Também critica o governo gaúcho por tachar a revista de “antiética, golpista e petista”.
Como forma de legitimar as reportagens a publicação cita: “os procuradores eleitorais reabriram as prestações de contas de Yeda e avisaram que requererão uma investigação da Polícia Federal sobre as denúncias de financiamento ilegal. Querem ainda que seu superior, o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, analise se Yeda tinha dinheiro suficiente para comprar uma casa em um bairro nobre da capital gaúcha em 2006, num caso que já havia sido arquivado”.
Defesa
Ainda no final da semana passada o advogado responsável pela defesa da governadora, Eduardo Alckimin, reuniu-se com Yeda e secretários de governo para traçar a estratégia inicial. Definiram uma ação de indenização por danos morais contra a Veja. Integrantes do PSOL que endossam as denúncias, no entanto, não serão alvo de medidas judiciais. Pelo menos não por enquanto. O advogado diz que é preciso analisar controvérsias jurídicas antes de decidir outras ações. Uma das prioridades é levantar informações com o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que analisará a compra da casa de Yeda.
Adesão do PDT deve confirmar CPI
Durante o fim de semana o PDT anunciou que vai aderir ao requerimento sugerindo a instauração da CPI da Corrupção na Assembléia Legislativa. Até a última sexta-feira a oposição liderada pelo PT tinha 12 assinaturas. Os pedetistas devem incluir mais seis, somando 18. São necessárias 19 e mais duas viriam da bancada do DEM. A definição pode ocorrer nesta terça-feira e a expectativa é de que a CPI seja instaurada ainda nesta semana. Paulo Feijó será uma das primeiras testemunhas ouvidas pelos deputados. Nesta segunda ele declara ao jornal Zero Hora ter outros e-mails comprovando as denúncias. A direção da GM e o tesoureiro Rubens Bordini contestam a versão do vice-governador.
Com informações da revista Veja e ClicRBS
