Defesa Civil do Estado registra melhor situação em pequenos poços e açudes, mas o volume das chuvas continua insuficiente para completar níveis de reservatórios e rios
Na avaliação da Emater/RS, as recentes chuvas registradas desde terça-feira, 12, ainda não normalizaram o abastecimento de água em todo o RS. Entretanto, houve um alívio para o campo, avaliou nesta quinta-feira, 14, o presidente da Emater/RS, Mário do Nascimento. Segundo Nascimento, com base na precipitação das últimas horas, a possibilidade da retomada do plantio de pastagens e do trigo, interrompidos devido ao agravamento da seca nos últimos dias. Para o gado leiteiro, pode faltar alimento.
Em relação à safra de grãos de verão, a expectativa era de repetição da supersafra de 2007, que superou 22 milhões de toneladas. Mas esse volume não deve se confirmar neste ano. A preocupação atual é com a produção de leite, devido à redução da oferta de alimento para o gado – pode haver reflexos na oferta durante as próximas semanas. “Ainda que as pastagens sejam plantadas agora, deverá levar 40 a 50 dias para que os primeiros resultados apareçam”, disse Nascimento. A produção de leite no RS é 2,9 bilhões de litros. Desde o início da estiagem houve redução de 50% na produção, cerca de 100 milhões de litros a menos por mês.
Para a diretora técnica da Emater/RS, Águeda Marcéi Mezomo, os programas de irrigação contribuem para diminuir o impacto da seca. “Irrigação é caminho sem volta. E a grande virtude do governo gaúcho é a atitude de enfrentar a seca. Infelizmente, a chuva não é a regra no Estado, é a exceção”. Águeda explicou que os custos de instalação de açudes e cisternas são praticamente nulos para o produtor, conforme prevê o programa Pró-Irrigação. Segundo ela, a Emater faz o projeto e o governo cobre de 50% a 80% o custo da obra. “Basta o produtor procurar o técnico da Emater do seu município, que fará o levantamento e o projeto”, concluiu.
Força-tarefa
A força-tarefa das secretarias (Habitação, Saúde, Agricultura, Obras e Relações Institucionais e por integrantes da Defesa Civil), criada por decisão da governadora Yeda Crusius, mantém o atendimento às emergências dos municípios. Segundo o chefe da Casa Militar, tenente-coronel Joel Prates Pedroso, o cenário é acompanhado todos os dias. Ele acha difícil ocorrer uma recuperação imediata dos municípios afetados pela seca e estiagem, apesar das chuvas. A maioria das cidades começou a se ressentir da falta de chuva desde fevereiro passado. “Os prejuízos vem desde aquele tempo e sacrificaram à produção, pastagens e o gado”, lembra Pedroso.
Chuvas
Em alguns municípios e regiões do RS a precipitação pluviométrica foi generosa, mas em outras o quadro ainda não melhorou. Conforme a Defesa Civil, desde a última terça-feira, 12, choveu 145 milímetros (mm), por exemplo, em Alto Alegre. Em Doutor Maurício Cardoso foram 120 mm; Rodeio Bonito, 125 mm, Ronda Alta, 112 mm; e São Martinho, 175 mm. Todos estão localizados na região Noroeste, uma das mais atingidas pela seca. O oposto, com chuvas em níveis insuficientes ocorreu em, por exemplo, Ibarama (Central) com 50 mm; Putinga (Vale do Taquari), com 40 mm; Sobradinho (Vale do Rio Pardo), com 45 mm; São Borja (Fronteira Oeste), com mínimos 20 mm; e Santa Rosa (Noroeste Colonial), com 53 mm.
