Feministas reuniram-se na tarde desta quinta-feira para discutir ações imediatas em defesa da mulher. Relação com o poder público ocupou maior parte da pauta.
No dia em que o caso da mulher encontrada em chamas próximo ao Santuário das Mães completa uma semana sem sequer identificação do corpo, feministas hamburguenses protestam. Na tarde desta quinta-feira, dia 30, mais de 20 mulheres reuniram-se na Praça Centenário, em Canudos, para discutir ações contra o machismo e a opressão. O movimento visa chamar a atenção do poder público ao problema, como explica Maria Luiza Finke, umas das organizadoras. “Conseguimos reunir hoje mulheres que já tinham desistido dessa luta”, acrescenta.
Maria Luiza conta que foi provocada a organizar a manifestação por uma vizinha depois dos casos da jovem morta e queimada próximo ao Santuário das Mães e de outra mulher agredida com fogo pelo marido no bairro Canudos. “Ela entrou na minha casa na última segunda-feira e disse: Luiza, mais uma mulher queimada. Temos que fazer alguma coisa”, lembra a feminista, que aos 61 anos de idade é Promotora Legal Popular e preside o Centro de Apoio a Meninos e Meninas – Ceamem. Militante da causa desde a década de 80, acredita que houve avanços, mas ainda há muito a melhorar.
Quem propôs o movimento à Maria Luiza foi a vizinha Suzana Pires, 48 anos, que também milita desde os anos 80. Ela chama a atenção para a necessidade de mobilização popular. “Esperamos que as pessoas entendam que é preciso ir para a rua. Ficar em casa sensibilizado não resolve o problema”, argumenta. Questionada sobre a suposta liberdade que hoje as mulheres conquistaram, a feminista é incisiva. “O que conquistamos foi mais problemas. Hoje, além de sofrer com a cultura machista, as mulheres trabalham fora, tem que cuidar da casa, dos filhos…”

Fórum de debates
A relação entre os movimentos feministas e o poder público ocupou a maior parte das discussões. E o principal encaminhamento foi a formação de um fórum permanente de debates. A próxima reunião ocorre quarta-feira, dia 05 de novembro, às 16 horas, na sede do Ceamem, que fica no prédio Novo Seguro (Rua David Canabarro, esquina com Pedro Adams Filho, Centro de Novo Hamburgo). O fórum deve contar com a participação de entidades não governamentais e de órgãos de governos, representantes de partidos políticos e mulheres da sociedade civil.
Entre os temas latentes está o funcionamento da Coordenadoria Municipal da Mulher. A intenção do grupo é saber como o prefeito eleito, Tarcísio Zimmermann (PT) vai lidar com a questão. “Precisamos de políticas públicas efetivas de defesa da mulher. Esses casos extremos são os que conhecemos. E quantos mais não se tornam públicos?”, defende Neiva Barbosa, representante do Sindicato dos Sapateiros. Durante a sessão ordinária da Câmara Municipal desta quinta-feira a vereadora Anita Lucas de Oliveira (PT) leu o manifesto produzido pelas organizadoras da atividade e distribuído entre as mulheres.
Movimento acompanhará caso da jovem queimada próximo ao Santuário das Mães
Caso o Posto Médico-legal de Novo Hamburgo não consiga identificar o corpo da jovem morta e queimada próximo ao Santuário das Mães na semana passada, a vítima será enterrada como indigente. Mas isso não significa que não terá um sepultamento digno. É o que garante Suzana Pires. “Com certeza vamos acompanhar o enterro dessa menina.”, adianta a feminista. “Eu fico emocionada quando penso o quanto a vida dela pode ter sido sofrida”. As mulheres pretendem monitorar a investigação sobre a identidade da vítima e organizar o ato de sepultamento caso a família não seja encontrada.

