Segundo indicações médicas, o novo procedimento é recomendado para quem tem a partir de nove graus; a lente intraocular é segura e não desgasta a córnea.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa aprovou a comercialização no Brasil de uma lente intraocular para correção de miopia.
A nova lente é implantada na frente da íris, sem mexer no cristalino do olho (como acontece com lente para correção de catarata) e sem desgastar a córnea (conseqüência da cirurgia a laser para miopia).
A lente intraocular é indicada para quem quer corrigir cirurgicamente o distúrbio, mas não pode fazer o procedimento a laser, segundo o oftalmologista Cláudio Lottemberg, do hospital Albert Einstein.
“O laser é menos invasivo, mas é contraindicado para quem tem córnea muito fina ou um grau muito alto de miopia”, diz Lottemberg.
A Anvisa aprovou a lente, fabricada pela Alcon, para miopias de 6º a 16,5º, mas alguns médicos consideram o implante mais apropriado a partir de 09 graus (miopias consideradas mais altas).
“Os riscos inerentes à cirurgia são baixos, mas existem”, lembra Paulo Schor, chefe do departamento de cirurgia refrativa do Instituto da Visão, da Unifesp.
Detalhes sobre o procedimento
De acordo com uma revisão de estudos feita pela Fundação Cochrane, o implante da lente intraocular e a cirurgia a laser são igualmente seguros.
A cirurgia para o implante dura cerca de 30 minutos e não requer internação, mas precisa ser feita em centro cirúrgico. A anestesia é local.
É feita uma incisão de três milímetros para a introdução de um cartucho que leva a lente para dentro do olho, explica Leôncio Queiroz, oftalmologista do Instituto Penido Burnier, de Campinas.
Já no olho, a lente é injetada por um êmbolo no local e, por seu formato maleável, adapta-se ao espaço interno e se apóia área entre a íris e a córnea.
Como a incisão é muito pequena, não é preciso fazer a sutura com pontos: o corte cicatriza naturalmente.
PÓS-OPERATÓRIO – A recuperação é rápida. “No dia seguinte à cirurgia, a visão está restabelecida, já dá até para checar o seu e-mail”, diz Schor. Nas semanas seguintes, é preciso usar um colírio específico e evitar movimentos muito bruscos.
É importante fazer exames anuais para verificar se o material implantado não está danificando a córnea. “Estudos mostram que a chance de isso ocorrer é menor do que 1%, mas o controle é indispensável”, alerta Schor. Se houver dano, a lente precisa ser retirada.
Outras possíveis complicações são infecções intraoculares, desenvolvimento de glaucoma e o risco de permanecer um grau residual de miopia, segundo Lottemberg.
Contra-indicações
O implante é contra-indicado para quem tem problema de retina, glaucoma e catarata. Para realizar a cirurgia, é preciso um médico que tenha feito um curso de capacitação específico para o implante dessa lente maleável – o nome comercial é lente intraocular Acrysoft Cache Phakic.
A lente deve chegar ao Brasil no próximo mês e ainda há poucos oftalmologistas capacitados para o procedimento. No Estado de São Paulo, o Instituto da Visão da Unifesp e o hospital Albert Einstein, na capital, e o Instituto Penido Burnier, em Campinas, já estão preparados para a cirurgia.
“A previsão é de que, em novembro, seja feito um curso de capacitação no Brasil, o que vai aumentar bastante o número de profissionais que podem fazer a cirurgia”, avalia Schor.
Além de ser mais invasivo do que a cirurgia de miopia a laser, o implante da lente intraocular deve custar cerca de 50% mais caro. “A cirurgia com um aparelho de laser ‘top’ de linha custa cerca de R$ 6.000 por olho; o implante deve custar, por olho, uns R$ 10 mil”, calcula Schor.
Informações de Folha Online.
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