Análise de cabelo do imperador francês, indica que ele sempre teve níveis altos de arsênico no organismo
Esqueça os livros de história e literatura. Esqueça aquela história que sua professora lhe contou quando estudava a história das guerras européias. Porque Napoleão não foi envenenado, como está escrito em milhares de livros e é falado por professores de todo o globo terrestre.
Mas se o imperador francês, exilado na remota ilha de Santa Helena, não morreu assassinado, nem por acidente, o que matou Napoleão em 1821?
A teoria de assassinato sustentava que seus captores britânicos o haviam envenenado, a teoria do acidente dizia que o papel de parede de seu quarto continha uma tintura baseada em arsênico que, embolorada, transformou-se em gases venenosos. Todas caem por terra.
As duas teorias foram atestadas através de cientistas que encontraram arsênico no cabelo do ditador, o que diminuía a idéia de que sua morte tenha sido causada por um câncer no estômago. O arsênico é altamente tóxico, e seus sintomas de envenenamento incluem fortes dores estomacais.
Mas assim como na natureza, nada de se perde, mas tudo se transforma, com a saga napoleônica não está sendo diferente. Um time de cientistas do Instituto Nacional de Física Nuclear nas universidades de Milan-Bicocca e Pavia descobriu fortes evidências do contrário. Eles conduziram uma análise detalhada de cabelos retirados da cabeça de Napoleão em quatro momentos de sua vida , quando garoto em Córsega, durante seu exílio a ilha de Elba, no dia de sua morte em Santa. Helena, aos 51 anos de idade, e no dia seguinte, e descobriu que os níveis de arsênico não sofreram grandes diferenças.
Arremessando uma rede ampla, os cientistas também estudaram cabelos de seu filho, Napoleão II, e sua esposa, Imperadora Josephine. Aqui, também, eles encontraram níveis de arsênico muitos similares e altos.
A grande surpresa foi que os antigos níveis eram cerca de 100 vezes maiores do que leituras obtidas dos cabelos de pessoas vivas. “As concentrações de arsênico no cabelo de Napoleão depois de sua morte eram muito maiores,” dizem os cientistas. Mas os níveis eram “bastante equivalentes àqueles encontrados não só no cabelo do imperador em outros períodos de sua vida, mas também em seu filho e sua primeira esposa.”
Os resultados, eles acrescentam, “sem dúvida revelam uma exposição crônica que acreditamos poder ser simplesmente atribuída a fatores ambientais, infelizmente não mais facilmente identificáveis, ou hábitos envolvendo alimentação e saúde.”
Arsênico na infância
O arsênico é um elemento básico que, em pequenas doses, pode estimular o metabolismo. Em 1870, quando Napoleão era garoto, o arsênico foi lançado como um medicamento da moda. “No século XIX ele era considerado um remédio popular, um tônico geral e um afrodisíaco,” escreve John Emsley em “Natures Building Blocks: An A-Z Guide to the Elements” (Oxford, 2002). “Era freqüentemente prescrito por médicos para ajudar na recuperação dos doentes.” Cientistas dizem que o corpo pode tolerar doses bastante grandes de arsênico se o veneno for ingerido regularmente. Esse parece ser o caso com Napoleão e sua família. “Todas as pessoas importantes daqueles tempos recebiam contaminação excessiva,” diz Ettore Fiorini, um membro do time da Universidade de Milan-Bicocca. “O arsênico era utilizado em tintas, tapeçaria, medicamentos e até mesmo na conservação da comida.” E o mistério continua.
