Edição do programa reuniu Cris Azambuja, Meg Schmitz, Scheron Pipoca e Vanessa Schimidt para uma conversa franca sobre mulheres, mercado, maternidade, redes sociais, saúde emocional e protagonismo feminino na região
A força das mulheres no mercado de trabalho, o papel da comunicação na vida cotidiana, a violência doméstica contra a mulher e os desafios enfrentados por quem empreende no Vale do Sinos foram temas centrais do debate realizado no programa Estação Hamburgo, exibido ao vivo no dia 11 de fevereiro de 2026, pela Vale TV. A edição reuniu convidadas com trajetórias distintas, mas conectadas por suas vivências e pela atuação direta na realidade regional.
Participaram da bancada Cristina Spengler Azambuja, Meg Schmitz, Scheron “Pipoca” Wiatroski e Vanessa Schimidt, em um encontro marcado por relatos pessoais, reflexões sobre o cenário profissional e críticas construtivas sobre os padrões impostos às mulheres na sociedade atual. O programa, apresentado por Rodrigo Steffen, trouxe uma conversa acessível, direta e muito próxima do público, abordando desde a sobrecarga feminina até a necessidade de fortalecer redes de apoio e oportunidades reais para quem busca crescer profissionalmente no Vale do Sinos.
Um debate sobre o que realmente afeta as mulheres da região
O programa teve como pano de fundo o crescimento do debate público sobre o protagonismo feminino, especialmente em cidades como Novo Hamburgo, São Leopoldo, Campo Bom, Estância Velha e Sapiranga, onde cada vez mais mulheres ocupam posições estratégicas em empresas, instituições e projetos comunitários.
Durante a conversa, as convidadas destacaram que, apesar de avanços importantes, ainda existem barreiras invisíveis que dificultam o desenvolvimento profissional e pessoal. Entre elas, a cobrança por perfeição, a falta de reconhecimento, a desigualdade salarial, a dupla jornada e a dificuldade de conciliar trabalho com maternidade e vida familiar.
A percepção geral foi de que a mulher do Vale do Sinos tem um perfil resiliente e trabalhador, mas muitas vezes precisa lidar com desafios que não aparecem nas estatísticas: a pressão psicológica, o cansaço acumulado e a sensação constante de que precisa “dar conta de tudo”.
Comunicação e redes sociais: entre oportunidade e pressão
Outro ponto debatido foi a influência das redes sociais na construção de imagem e no mercado de trabalho. Para as convidadas, o ambiente digital abriu portas importantes para empreendedoras, comunicadoras e profissionais autônomas, mas também trouxe um peso novo: a necessidade de estar sempre presente, sempre produzindo e sempre demonstrando resultados.
A discussão reforçou que, para muitas mulheres, as redes sociais viraram ferramenta de sobrevivência econômica, especialmente para quem atua com vendas, marketing, estética, produção de conteúdo e prestação de serviços. Ao mesmo tempo, a exposição constante e a comparação com padrões irreais acabam gerando ansiedade, insegurança e desgaste emocional.
As participantes também alertaram para o risco de “romantizar” o empreendedorismo feminino, como se bastasse força de vontade para prosperar. O debate mostrou que empreender exige estrutura, planejamento, apoio familiar e uma rede sólida — e nem todas têm acesso a isso.
Empreendedorismo feminino no Vale do Sinos: coragem, mas também cansaço
O programa trouxe relatos que reforçam uma realidade conhecida por quem vive na região: o Vale do Sinos é um território historicamente empreendedor, mas que exige esforço extremo de quem decide abrir um negócio.
As convidadas destacaram que muitas mulheres empreendem por necessidade, não por escolha. Em vários casos, elas buscam autonomia financeira, flexibilidade de horários ou alternativas diante de um mercado de trabalho que ainda fecha portas para mães e mulheres acima de determinada faixa etária.
A conversa também evidenciou que, apesar da criatividade e da capacidade de reinvenção, ainda falta incentivo prático, formação acessível e valorização local para fortalecer negócios liderados por mulheres.
Nesse contexto, foi defendida a importância de iniciativas de capacitação, feiras regionais, espaços de networking e projetos que conectem empreendedoras a oportunidades reais de crescimento — especialmente em cidades como Novo Hamburgo e São Leopoldo, que concentram grande parte do comércio e dos serviços do Vale do Sinos.
Maternidade e carreira: um equilíbrio difícil
Um dos momentos mais marcantes do programa foi a reflexão sobre maternidade e mercado de trabalho. A bancada discutiu como muitas mulheres enfrentam um dilema constante: trabalhar para sustentar a casa e manter autonomia, mas ao mesmo tempo lidar com a culpa e a cobrança por estar presente em tempo integral na vida dos filhos.
O tema foi tratado com sinceridade, sem idealizações. As convidadas reforçaram que a maternidade é transformadora, mas também é exaustiva quando não há divisão real de responsabilidades e quando a sociedade ainda espera que a mulher seja a principal responsável por tudo que envolve casa, filhos e organização familiar.
O debate também apontou que, em muitos casos, a maternidade vira motivo de discriminação no ambiente corporativo, limitando promoções, oportunidades e crescimento.
Saúde emocional e autoestima: a pressão invisível
Ao longo do programa, ficou evidente que um dos maiores desafios enfrentados pelas mulheres hoje não é apenas financeiro ou profissional, mas emocional.
As convidadas destacaram que o excesso de cobrança — tanto externa quanto interna — tem gerado um cenário preocupante de estresse, ansiedade e esgotamento. A pressão para ser produtiva, bonita, presente, eficiente e “exemplo” ao mesmo tempo se tornou um peso silencioso, especialmente para quem tenta equilibrar múltiplas funções.
No Vale do Sinos, onde a cultura do trabalho é forte e a rotina urbana é intensa, esse esgotamento tende a ser ainda mais frequente. Por isso, o debate reforçou a importância de falar sobre autocuidado, terapia, rede de apoio e limites.
A mensagem central foi clara: saúde emocional não é luxo, é necessidade — e precisa ser tratada com responsabilidade e acolhimento.
Mulheres que inspiram outras mulheres: protagonismo que se constrói na prática
Mesmo com críticas e alertas, o tom do programa foi de valorização. O Estação mostrou que existe um movimento crescente de mulheres que não apenas ocupam espaços, mas criam novos caminhos para outras mulheres.
O protagonismo feminino foi apresentado como algo que se constrói na prática diária: na mulher que empreende, na que trabalha e estuda, na que cuida da família e ainda encontra tempo para criar projetos, comunicar, liderar e transformar.
O debate também reforçou que o Vale do Sinos tem um grande potencial para ampliar esse protagonismo, desde que a comunidade e as instituições apoiem com mais estrutura, mais oportunidades e menos julgamento.
Um retrato real da mulher do Vale do Sinos
A edição do Estação Hamburgo do dia 11 de fevereiro de 2026 terminou com uma sensação de identificação. O público não assistiu apenas a um debate, mas a um retrato real de mulheres que vivem o cotidiano da região e traduzem, com palavras simples, o que muitas pessoas sentem, mas nem sempre conseguem expressar.
A conversa mostrou que o protagonismo feminino no Vale do Sinos é feito de coragem, esforço e reinvenção, mas também precisa ser acompanhado de políticas de apoio, respeito, reconhecimento e igualdade de oportunidades.
Mais do que um tema de pauta, a presença feminina no mercado, na cultura, na comunicação e nos espaços de liderança é hoje uma realidade consolidada — e que seguirá crescendo, desde que o debate continue acontecendo com verdade, empatia e compromisso social.
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Clique na imagem abaixo para assistir ao programa Estação Hamburgo no canal da Vale TV no YouTube:
O Estação Hamburgo é um programa exclusivo da Vale TV. Exibido ao vivo, de segunda a sexta-feira, das 20h às 21h, o programa reúne convidados em uma bancada de debates que analisa temas de interesse público. Desde 2015, o Estação Hamburgo se consolidou como um espaço plural e democrático, voltado à comunidade, com pautas que abrangem política, cultura, sociedade e as principais pautas da região.
O Estação Hamburgo tem o patrocínio de Calçados Beira Rio 50 anos, Construtora Concisa, JG Serviços, Merkator Feiras e Eventos e Universidade Feevale.
Debate realizado no dia 11 de fevereiro de 2026 no programa Estação Hamburgo, apresentado por Rodrigo Steffen.

