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Pelo Mundo – Missões de guerra geram altos lucros

EditorPor Editor8 de abril de 20094 Mins Leitura
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guerra 0408

Missões de países ocidentais em zonas de guerra acontecem graças à polêmica atuação de forças privadas de segurança. Para mercenários, os altos salários são o maior atrativo.

Quando os países ocidentais fazem guerra, costumam contratar forças privadas de segurança. As empresas do setor têm até 50 mil mercenários trabalhando no Iraque, por exemplo. Entre esses há muitos alemães.

Franz Hutsch, ex-repórter de guerra na antiga Iugoslávia, resumiu no livro Exportschlager Tod – Deutsche Soldaten als Handlanger des Krieges (Morte como produto de exportação – Soldados alemães como serviçais da guerra) suas observações sobre esse setor sigiloso.

O jornalista acompanhou três mercenários em ação em diversas regiões do mundo. Não importa se em Bagdá, Cabul ou na África, o dia de um mercenário começa da mesma forma. “Eles levantam de manhã em seus campos altamente vigiados, entram em seus veículos blindados e saem para executar diversas tarefas, como a proteção de comboios ou de pessoas, mas também em missões de reconhecimento e até de caça a Osama bin Laden, por exemplo. Com grande frequência, os mercenários chegam a ter contato com o inimigo, como costumam denominar”, diz Hutsch.

Contato difícil

O setor de segurança privada é bastante discreto, o que dificultou a Hutsch entrar em contato com mercenários. Somente depois de uma série de conversas e encontros em Bagdá e Cabul é que alguns deles se dispuseram a relatar seu perigoso cotidiano. O que une a maioria deles é o sonho de ganhar dinheiro rápido.

“São somas astronômicas. A maioria ganha um valor líquido entre 700 e mil euros por dia. Fazendo uma estimativa cautelosa, os 4 mil mercenários alemães mencionados no meu livro recebem um total de 62 milhões de euros ao mês, isentos de impostos. São somas inacreditáveis. E essa é, na maioria dos casos, a motivação para entrar nessa profissão”, explica Hutsch.

Consequências fatais

No entanto, há também extremistas que querem executar uma missão ideológica a ser prosseguida algum dia dentro da Alemanha. “Os antigos mercenários, especialmente os que combateram nos Bálcãs e sobretudo do lado croata, dizem claramente que é necessário se manter em boa forma, a fim de criar na Alemanha uma nova ordem mundial e uma nova ordem estatal”, conta o jornalista.

Hutsch teme que não apenas uma cegueira ideológica possa, num futuro próximo, se tornar um problema de segurança para a Alemanha. Em função do boom do setor, que – segundo as estimativas – alimenta hoje até 1,5 milhões de pessoas, os mercenários já marcam presença em todas regiões em crise do mundo.

Isso tem consequências fatais, acredita Hutsch: “Meu prognóstico é o de que, nos próximos 15 ou 20 anos, se chegue a uma situação em que mercenários alemães estarão atirando contra soldados alemães”, diz o jornalista.

Tentativas tímidas

Esse é um problema do qual os políticos têm consciência, acredita Hutsch. “Aqueles com os quais falei, também durante a preparação deste livro, reconheceram o problema, mas se sentem impotentes. Já houve tentativas tímidas de controlar e regulamentar o setor de segurança na Alemanha, mas depois os documentos foram engavetados e agora os grêmios se encontram em processo de discussão. Essa discussão se refere a um estágio que está dez anos aquém do que se passa hoje”, observa Hutsch.

Isso diz respeito, acima de tudo, ao julgamento penal dos mercenários, um dos maiores problemas até hoje. De tempos em tempos, exemplos dramáticos chegam à opinião pública, como o caso de um funcionário da empresa de segurança privada Blackwater, que, após uma explosão em Bagdá, começou a atirar à sua volta, matando oito iraquianos inocentes e deixando 13 pessoas feridas.

Setor em crescimento

Apesar desses incidentes e de várias interrogações em relação à atuação dos mercenários, Hutsch não prevê um fim do boom de privatização em regiões de crise. “O setor é o único que, apesar das crises financeira e econômica, apresenta altos índices de crescimento no momento. E isso só acontece porque o setor pode contar com as missões delegadas pelo governo. E as Forças Armadas alemãs também tendem a seguir esse rumo”, resume o jornalista.

Assim como outras Forças Armadas ocidentais, o Bundeswehr coopera com empresas privadas de segurança. Segundo as pesquisas de Hutsch, ex-oficial alemão, isso se deve ao fato de as forças de combate do Bundeswehr estarem sobrecarregadas com sua nova incumbência de exército flexível para missões diversas.

Deutsche Welle

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