Projeção do mercado para o IPCA de 2008 sobe para 4,66%, acima da meta central. BC deve retomar elevação dos juros a partir de quarta-feira
Após a divulgação do resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março na semana passada, que avançou 0,48%, o mercado financeiro subiu a sua estimativa para a inflação de todo o ano de 2008. Segundo o relatório de mercado, divulgado nesta segunda-feira pelo BC, a projeção do mercado para o IPCA deste ano passou de 4,50% para 4,66%. Para 2009, a expectativa subiu de 4,30% para 4,40%.
O BC define a taxa de juros básica da economia brasileira tendo por base as metas de inflação pré-estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para este ano e para 2009, a meta central de inflação é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode, teoricamente, ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja descumprida. Se o BC julgar que a inflação está subindo muito, acima da trajetória das metas de inflação, pode elevar os juros.
Com a subida da inflação, o mercado financeiro confirmou a sua estimativa de que os juros deverão voltar a subir nesta semana. A expectativa do mercado financeiro foi mantida em uma elevação de 0,25 ponto percentual, de modo que a taxa passe de 11,25% para 11,50% ao ano nesta semana. A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado do BC responsável pela definição dos juros, acontece nas próximas terça e quarta-feiras.
Já na reunião do Copom de junho, ainda segundo o mercado financeiro, a taxa de juros seria elevada novamente, agora para 12% ao ano, ou seja, um aumento de 0,50 ponto percentual. Até o momento, o mercado previa uma elevação de 0,25 ponto percentual em junho. Já em julho, subiria novamente 0,50 ponto percentual, para 12,50% ao ano e, em outubro, seria elevada para 12,75% ao ano, valor no qual fecharia 2008. Anteriormente, o mercado previa que os juros fechariam este ano em 12,50% ao ano. Para o fim de 2009, a estimativa do mercado para os juros foi mantida em 11,25% ao ano.
