Projetos voltados às funções executivas ajudam na avaliação e no estimulo cognitivo de crianças do Ensino Fundamental de 6 a 11 anos
Dois jogos criados por pesquisadores da Universidade Feevale foram registrados no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em 2025. As ferramentas, chamadas Thefex e Apollo & Rosetta, foram desenvolvidas para avaliar e estimular as funções executivas em crianças de 6 a 11, com uso tanto em escolas quanto em atendimentos clínicos.
Os jogos surgiram a partir de projetos de pesquisa e inovação da universidade e foram pensados para apoiar professores, gestores escolares e profissionais da área da saúde. Segundo a professora e pesquisadora Débora Nice Ferrari Barbosa, uma das responsáveis pelo trabalho, a proposta é oferecer instrumentos adaptados à realidade brasileira e de fácil acesso para instituições de ensino e clínicas.
Funções executivas na educação e ciência
O Thefex é um jogo para dispositivos móveis criado dentro de um projeto de pesquisa financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs). Ele permite avaliar diferentes áreas das funções executivas, como controle inibitório, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e planejamento, por meio de atividades interativas.
Já o Apollo & Rosetta tem foco na estimulação dessas habilidades, com tarefas que envolvem atenção, organização, autocontrole, memória e regulação emocional. A narrativa do jogo coloca as crianças em um treinamento para se tornarem exploradores espaciais, tornando o processo de aprendizagem mais atrativo.
Funções executivas e impactos nas escolas
De acordo com Débora, os dois jogos se complementam: enquanto um ajuda a identificar possíveis dificuldades cognitivas, o outro contribui para o estimulo dessas capacidades. O objetivo é permitir que o profissional compreenda melhor as necessidades de cada criança e possa acompanhar sua evolução.
O desenvolvimento dos jogos envolveu quase quatro anos de trabalho e contou com uma equipe formada por professores, pesquisadores e estudantes de pós-graduação e colaboradores externos, incluindo profissionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da empresa Conectare NeuroPsi.
Os projetos nasceram dentro do Grupo de Pesquisa em Tecnologias Digitais, Neurociência e Educação, que atua há mais de uma década na criação de soluções tecnológicas com foco social. Segundo a coordenadora, o Apollo & Rosetta reúne resultados de mais de 10
anos de estudos acadêmicos, agora aprimorados com melhorias na experiência do usuário e novas atividades.
Os jogos já foram testados em escolas de São Leopoldo e Novo Hamburgo, e a equipe trabalha para ampliar o acesso às plataformas. Também está em desenvolvimento um sistema que permitirá a professores, gestores e psicólogos analisar os dados gerados pelas atividades, auxiliando no acompanhamento do desenvolvimento cognitivo das crianças.
Sobre o registro no INPI, a pesquisadora destaca que ele garante proteção aos resultados científicos e abre caminho para a futura disponibilização no mercado. Segundo ela, não há, no Brasil, outro jogo que una narrativa, desafios e estímulo das funções executivas da forma como essas ferramentas foram concebidas.
Mais informações sobre o Apollo & Rosetta estão disponíveis no site da Feevale. Já o Thefex ainda está em fase final de organização e deverá ser lançado em breve.
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