Esta é pelo menos a crença de duas vítimas de um seqüestro relâmpago ocorrido no dia 24 de maio, no Centro de Novo Hamburgo, mas que só foi registrado nesta segunda-feira
Duas mulheres se motivaram nesta segunda-feira, dia 2, a registrar uma denúncia contra os assaltantes da rua Vicente da Fontoura em Novo Hamburgo, depois de lerem a reportagem do Jornal NH, em que um homem e uma mulher utilizaram um carro para praticar o seqüestro relâmpago de um casal, nesta mesma rua, no sábado, dia 31, após às 21 h.
As vítimas ” Tatiana” e “Juliana ” – ( que pediram para ter seus verdadeiros nomes preservados) – registraram ocorrência na 2ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo e relataram que quase foram vítima de um seqüestro relâmpago, no sábado anterior, também por volta das 21 h, quando estavam dentro do carro, na saída de um culto evangélico. “A Bíblia e o nome de Jesus foram às únicas armas que utilizei para afugentar os dois rapazes que já estavam dentro do carro e armados”, conta Tatiana.
Tatiana ainda contou que avistou a bíblia em sua frente, no painel do automóvel e não teve dúvidas, pegou-a e segurando firmemente começou a gritar por “Jesus”, os quais receberam eco de sua colega Juliana. Diante desta reação da vítima, os assaltantes não souberam como reagir e saíram em disparada. “Acredito que esta não seja a postura que as vítimas devam tomar em caso de assalto, eu porém, tive esta reação”, argumenta.
Recentemente um outro cidadão relatou por e-mail ao portal Novo Hamburgo que teria sido abordado no Centro da cidade, na rua Joaquim Nabuco, por dois sujeitos e, depois de ser obrigado a permanecer no veículo, teria sido levado para São Leopoldo e Estância Velha, em alguns trechos a uma velocidade de 160 km/h e, obrigado a entrar em caixas eletrônicos bancários e fazer saques de contas correntes. Ele conta que conseguiram levar dele R$ 130 reais. Depois seguiram rumo ao Santuário das Mães, em Novo Hamburgo desceram do automóvel e mandaram que ele saísse de lá com o veículo, mas sem olhar para trás.
Por telefone, o responsável pela 3ª Delegacia de Polícia da Região Metropolitana – DPRM, delegado João Bancolini adiantou que pretende solicitar as imagens de câmaras públicas, de Novo Hamburgo e São Leopoldo, bem como, das agências bancárias visitadas nas duas cidades e ainda em Estância Velha, pelos delinqüentes, com objetivo de identifica-los. O delegado argumenta que em Novo Hamburgo já vem ocorrendo este tipo de crime, mas que ele não dispunha naquele momento das informações para informar a comunidade. “Na tarde de terça-feira posso disponibilizar essas informações”, garante o delegado.
Bancolini também acredita que o número de registros deste tipo de crime não corresponde a realidade e que muitas pessoas deixam de registrar os fatos. “Os cidadãos têm medo de represálias e acabam esquecendo o assunto”, argumenta.
O seqüestro
Conforme registros da Polícia Civil de Novo Hamburgo, o seqüestro relâmpago começou quando os dois jovens foram abordados por volta das 21h na Vicente da Fontoura e depois de serem forçados a entrar no próprio carro eles foram ameaçados durante cinco horas, período em que ficaram em poder de um casal de assaltantes. Mas o pior ainda estava por vir, ao final do seqüestro relâmpago, já na madrugada deste domingo. Sob a mira de uma pistola, o rapaz, de 19 anos, e a adolescente, de 15, tiveram que ficar nus em um matagal, quando a sensação térmica estava abaixo de zero grau. Ele foi colocado no porta-malas de seu carro e a garota estuprada pelo ladrão. O caso, que começou e terminou em Novo Hamburgo, passando por São Leopoldo e Estância Velha, está sendo definido como “atrocidade” pelo delegado regional João Bancolini. As vítimas não querem falar e não há suspeitos.
