O espetáculo de humor com as atrizes Fernanda Carvalho Leite e Ingra Liberto vai estar pela primeira vez em Novo Hamburgo, neste sábado, dia 18, na Sociedade Aliança
A bem humorada peça “Inimigas Íntimas”, em cartaz há um ano, vem pela primeira vez ao município hamburguense, com as atrizes Fernanda Carvalho Leite e Ingra Liberato, em única apresentação neste sábado, 18, às 20h , na Sociedade Aliança, bairro Hamburgo Velho. O ingresso custa R$ 30, e os sócios da Aliança pagam R$ 20. Estudantes e idosos têm direito à meia-entrada.
Os ingressos podem ser adquiridos na Mais Pastel (Av. Maurício Cardoso, 1174), Farmácia Hamburguesa (Rua Bento Gonçalves, 2742), Master Cópias (Rua Borges de Medeiros, 92), e na própria bilheteria da Sociedade Aliança (Rua Oscar Emílio Müller, 49). A expectativa de Daniel Henz, da Um Cultural, produtora do evento, é de lotação máxima.
Em visita a redação do novohamburgo.org, a atriz Fernanda Carvalho Leite e o diretor Nestor Monastério, contam um pouco sobre a peça, as personagens e a richa criada entre as amigas que se acusam de uma ter roubado o destino da outra.
novohamburgo.org – Como surgiu essa rivalidade entre as duas amigas?
Fernanda Leite– Surgiu por desejos de adolescentes. Uma queria ser famosa, queria ser atriz, viajar o mundo, a outra queria casar com o Osmar, ter filhos com ele, ser professora, pesquisadora, ter uma vida bem “normal”. E quando uma vai fazer um teste pra um filme, a outra é que foi escolhida. E a história acaba se invertendo, o destino tão sonhado inverte. E aquela que foi rejeitada no teste, casa com o Osmar, tem filhos, tem uma familiar bem estrutura e a outra tem uma vida profissional bem estruturada. E elas se separam. E anos depois, cada uma com suas conquistas profissionais ou pessoais já bem resolvidas, sentem falta do outro lado. E é por isso essa richa. Então elas marcam um jantar para tirar a limpo essa história.
Nestor Monastério– E elas fazem um duelo nessa hora, e é um duelo em forma de tango maravilhoso, uma cena maravilhosa, a mais forte do espetáculo.
novohamburgo.org – Porque as pessoas gostam de visualizar uma disputa como essa, especialmente entre mulheres?
Fernanda – Todo mundo romancia a vida do outro, idealiza o outro, tem uma inveja ou branca ou negra. Isso faz parte do ser humano, ter ambições ou frustrações.
Nestor– Eu acho que isso é até para soltar o humor feminino, e esse humor femino extremamente azedo, ferino, está solto no espetáculo. Eu fiquei observando várias vezes, existe uma richa no palco, entre as personagens, e existe uma pequena richa, uma sacanagem entre a Ingra e a Fernanda. Não por mal, mas é o eu sempre digo “que elas olham o palco e entram pra matar”, eu digo que isso é o instinto assassino que elas têm no palco. E fica muito divertido.
Fernanda – O legal é que agente pode lidar com isso com humor, eu acho que essa peça nos fez muito bem, a gente pode brincar com essas picuinhas, essas invejas femininas com humor.
novohamburgo.org – Onde entram as personagens interlocutoras da história, a jornalista e a empregada?
Fernanda – Essa duas são muito engraçadas, é uma delícia fazer essa parte. Eu faço a jornalista, que é uma jornalista sapata e a atriz é aquela coisa que seduz o tempo inteiro. E é muito engraçado. Porque uma está ali tentando entrevistar e a outra fica se jogando pra cima o tempo inteiro, e cria uma tensão. E a empregada é a Ingra baiana, a Ingra é baiana, bem resolvida.
Nestor– E a empregada é o outro lado da própria Ingra, que adora uma faxina, que adora fazer as coisas do lar. Não é uma personagem, é a outra cara da Ingra Libertao, e que as pessoas podem conferir no teatro.
novohamburgo.org – Como se cria o dilema do vestido?
Fernanda– É aquela velha indecisão: “ir com o vestido preto ou vermelho no jantar”. O preto é básico e na opinião da empregada e da jornalista é o ideal por ser discreto, elegante. Mas nenhuma das duas quer ser discreta, elas querem se mostrar pra amiga estando “top”, e acaba que as duas escolhem o vestido vermelho, super parecidos. O figurino inteiro é muito bacana.
Nestor – Isso é uma coisa bem bacana. Tem muita troca de roupa, mas elas são feitas no palco, entra um contra-regra que ajuda elas a se trocarem no palco, então todas as mudanças de roupa são feitas ao vivo com elementos de show. A troca quando elas estão se arrumando para ir ao velório é uma maravilha, eu adoro.
Fernanda – E o jantar é o desfecho, é quando elas se encontram para cobrar a troca dos destinos. Porque na cabeça das malucas é assim, uma roubou o destino da outra. E daí elas trocam novamente, a atriz fica com o marido e a outra vai fazer uma peça de teatro que a atriz está fazendo. Mas eu não vou contar mais nada, tem que ver no teatro.
Uma crítica de Renato Mendonça, diz que felizmente o texto e a direção da peça são feitas por pessoas que popularizaram o espetáculo sem baixar a qualidade. O que pensa disso?
Nestor – Eu concordo, porque não é porque tú faz um espetáculo popular que tu tem que baixar a qualidade. Eu acho que todos os espetáculos deveriam ser populares. E qualidade é fundamental para manter isso funcionando. Porque a peça pode explodir por questão de mídia, mas não chega a lugar nenhum, não se mantém. Eu busco muito essa questão da qualidade, eu trabalho com a Fernanda há uns 14 anos por uma questão de lapidar a qualidade, por ela ser uma atriz forte, de qualidade, disciplinada, é de uma disciplina absurda no trabalho. Isso também é fundamental. Nesse espetáculo, o contra-regra também ensaia, é dirigida a participação dele em cena, qualquer detalhe é importante.
Fernanda – O desejo de fazer essa peça surgiu há uns cinco anos atrás, e foram quatro anos no processo de criação, ensaio, em busca dessa qualidade, no texto, e da própria encenação. Foi um processo longo. Até que finalizamos, nos acertando com outros projetos paralelos.
Nestor– Estamos montando uma nova programação com a peça. Vamos fazer o Porto Verão Alegre, o sul do Estado ainda não fizemos. Estamos nos reprogramando em função das agendas. Em Novo Hamburgo estamos com ótimas expectativas, assim como ocorreu com os Homens de Perto, com a lotação na capacidade correta, muito respeito, para manter a qualidade.
