Foi divulgado nesta terça-feira, 16, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. O trabalho mostra se as políticas de igualdade de gênero não forem aceleradas, serão necessários 87 anos para igualar salários de homens e mulheres.
A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, comemorou a redução das desigualdades entre homens e mulheres, mas reconheceu que é preciso acelerar o ritmo de implementação das políticas. “Desde as últimas Pnads Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, temos tido notícias boas e más em relação às desigualdades das mulheres. A boa é que existe redução das desigualdades no Brasil. A mais importante seria que diminuiu a diferença salarial entre homens e mulheres”, disse a ministra.
“A má é que a velocidade não é a que queremos. Se fizermos uma regra de três simples, projetando os dados da Pnad para o futuro, levaríamos 87 anos para superar a diferença salarial entre homens e mulheres”, lamentou.
Para a futura titular da Coordenadoria de Políticas para Mulheres de Novo Hamburgo Fátima Fraga, a desigualdade de gêneros no Brasil ainda é uma questão muito forte onde “cada município deve fazer sua parte”, acredita. Segundo a Coordenadora, será necessário fazer um trabalho de articulação entre as ONGs e a sociedade civil, juntamente com órgãos públicos, para diagnosticar os problemas na cidade, em todas as áreas de trabalho como educação, cultura e políticas socias. “Precisamos saber onde existem as lacunas, montar uma rede de diagnósticos para depois encaminharmos soluções. Será necessário saber também dentro de Novo Hamburgo quantas mães hoje são chefe de famílias”, ressaltou a futura Coordenadora.
Na avaliação do presidente do Ipea, Marcio Pochmann, as desigualdades de gênero estão diminuindo no país, mas ainda são “acentuadas”. Segundo ele, as diferenças entre homens e mulheres no mercado de trabalho é conseqüência dos modelos agrícola e pecuário que o país viveu no passado. Para acabar com a desigualdade, disse Pochmann, “é preciso que as políticas afirmativas sejam de Estado, portanto, contínuas, e não apenas de governos”
O estudo analisou 11 blocos temáticos sociais para traçar um perfil das desigualdade de raça e gênero no país. Entre os aspectos analisados está mercado de trabalho, população, saúde, habitação e Previdência Social.
