Evento reúne pessoas para celebrar cultura, fé e combate à intolerância religiosa
Mesmo com a chuva, a primeira edição do Festival Estadual Baobá Sagrado da Umbanda e Cultos Afro-brasileiros do Rio Grande do Sul movimentou São Leopoldo neste sábado (23). O encontro, realizado no Ginásio Municipal Celso Morbach, começou às 14h e seguiu até as 21h, com entrada gratuita e programação aberta à comunidade.
Segundo os organizadores, lideranças religiosas Pai Alexandre, Mãe Sueli e Mãe Beti, o evento atraiu mais de 2,5 mil pessoas de diversas regiões do estado, reunindo caravanas para um dia de cultura, espiritualidade e solidariedade.
Cultura, solidariedade e espiritualidade
O festival foi estruturado sobre três pilares: cultura, solidariedade e espiritualidade. A programação inclui apresentações de capoeira, música e dança; arrecadação de alimentos para a APAE de São Leopoldo; e rituais que reforçam a ancestralidade da umbanda e dos cultos afro-brasileiros.
Entre os destaques, estão a abertura com ritual de Bará e banho de pipoca, cortejo dos orixás, hasteamento da bandeira da umbanda, roda de capoeira, apresentações culturais, feira afroempreendedora ExpoBlack e, no encerramento, a gira coletiva de caboclos com abraço simbólico no Baobá.
São Leopoldo e as casas de matriz africana
Estudos apontam que São Leopoldo possui mais de 460 casas de matriz africana, mas apenas cerca de 130 contam com selo de reconhecimento do COMPOTMA. Para Mãe Sueli, esse processo é fundamental para garantir segurança jurídica.“Quando uma casa se autodeclara unidade territorial tradicional, ela passa a ser reconhecida como espaço cultural, o que garante proteção legal. Esse selo nos coloca debaixo de um guarda-chuva jurídico que ajuda a enfrentar a intolerância e garante o direito de exercer nossa fé e nossa cultura”, afirmou.
Símbolo contra a intolerância religiosa
Um momento simbólico do festival foi a instituição da bandeira contra a intolerância religiosa afro-brasileira, idealizada por Pai Saúl de Ogum, Pai Alexandre e Thaís de Amanjá.“Essa bandeira é colorida, vibrante e vai representar toda a força da umbanda e das tradições afro no combate ao preconceito. É um marco importante e que terá São Leopoldo como referência”, destacou Pai Alexandre.
Primeira-dama defende liberdade religiosa
Entre as autoridades presentes, esteve a primeira-dama e secretária de Assistência Social, Simone Dutra. Em seu pronunciamento, ela destacou a fé como expressão fundamental da liberdade humana e reforçou a importância do respeito entre diferentes crenças.“Não importa se somos católicos, evangélicos, espíritas, de matriz africana ou de qualquer outra fé. O que importa é que todos somos irmãos e irmãs, filhos da mesma humanidade, que busca caminhos de esperança, paz e amor. A intolerância jamais pode ser um caminho — porque o respeito é a ponte que constrói convivência, harmonia e justiça”, afirmou.
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