
Fundo Monetário Internacional apresentou relatório hoje onde prevê contração de 1,3% na economia mundial em 2009.
Agnaldo Charoy Dias – agnaldo@novohamburgo.org
Segundo relatório apresentado nesta quarta-feira, 22, uma leve recuperação só poderá ser observada em 2010, com 1,9% de crescimento. Segundo o FMI “a recuperação dependerá de que se redobrem os esforços para se restabelecer a saúde do sistema financeiro e que se siga apoiando a demanda com políticas monetárias e fiscais mais amplas.”
O relatório revela que as economias avançadas sofreram uma redução de 7,5% no PIB (Produto Interno Bruto) no último trimestre de 2008 e que neste primeiro trimestre de 2009 o ritmo permaneça igual.
A economia dos Estados Unidos foi a que mais sofreu com a crise, em consequência das crescentes tensões financeiras e do contínuo enfraquecimento do setor habitacional.
Já na Europa Ocidental e na Ásia, as economias foram duramente golpeadas pelo colapso do comércio mundial, assim como pelo agravamento de seus próprios problemas financeiros, além das correções do setor imobiliário em alguns mercados nacionais. A Europa sofreu especialmente pelo recuo no recebimento dos lucros dos países onde estão suas linhas de produção.
As economias dos chamados “emergentes” teriam se contraído na base de 4% no último trimestre de 2008. Os danos chegaram a estes países graças aos canais financeiros, que retiraram recursos destes países para taparem seus prejuízos nos países sede. No caso da Ásia, que depende muito das exportações de manufaturados, a crise foi mais severa do que nos exportadores de commodities.
O esfriamento da atividade econômica mundial também está reduzindo a pressão inflacionária. Os preços das commodities reduziram consideravelmente, atingindo especialmente o Oriente Médio, maior produtor e exportador de petróleo do mundo. Siofreram com estas reduções também a América Latina e África. O Brasil é grande exportador de minérios e produtos agrícolas.
Ao mesmo tempo, a crise está contendo os aumentos salariais e reduzindo as margens de lucro. Assim, a inflação dos 12 meses anteriores a fevereiro de 2009 caiu a menos de 1% nos países avançados, ainda que a inflação geral tenha se mantido em torno de 2%, com notável expansão no Japão.
As projeções tem como pressuposto que a estabilização do mercado financeiro irá demorar muito mais tempo do que se havia previsto, em que pese os esforços dos governos.
Segundo estas previsões, o crédito global para o setor privado nas economias avançadas se reduzirá em 2009 e 2010, e as economias emergentes e em desenvolvimento terão muito pouco acesso ao financiamento externo nestes dois anos.
Outro problema é que os déficits fiscais aumentaram consideravelmente nas economias avançadas e emergentes, já que se supunha que os governos dos países do G-20 poriam em marcha planos de estímulo fiscal equivalentes a 2% do PIB em 2009 e 1,5% em 2010. Também havia a projeção de que os preços das commodities se manteriam estáveis em 2009 e com leve alta em 2010, conforme apontavam as bolsas de mercadorias e futuros.
Segundo o FMI, esta será a recessão mais severa desde a Segunda Guerra Mundial e será de caráter planetário. “As perspectivas atuais são excepcionalmente incertas, com fortes riscos para uma brutal queda e as políticas adotadas até agora sejam insuficientes para romper o ciclo de repercussões negativas”, alega o relatório.
