Bolsas de valores voltam a ter queda acentuada. Munição dos governos está se esgotando
A cotação do dólar comercial deu um salto de 4,01% nesta quinta-feira e fechou em R$ 2,203 na venda. Com isso, a alta acumulada no ano alcançou 23,97%. O avanço da moeda americana ocorreu apesar de três leilões realizados pelo Banco Central, sendo dois à vista e um de “swap” (equivalente à venda de dólares no mercado futuro).
A escalada do câmbio no Brasil acompanhou o pessimismo nos principais mercados do mundo. As Bolsas de Valores da Europa fecharam em forte queda apesar de o Banco da Inglaterra ter reduzido em 1,5 ponto percentual sua taxa básica de juros.
O primeiro leilão de dólares do dia foi à vista, no final da manhã, com taxa de corte de R$ 2,146. Em seguida, o BC colocou no mercado US$ 926,9 milhões em contratos de swap cambial com ajuste periódico. Mais tarde, foi realizado outro leilão à vista.
Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou nesta quinta-feira que os países industrializados registrarão no próximo ano a primeira contração de seu Produto Interno Bruto desde 1945 (-0,3%) e que o crescimento mundial não passará de 2,2%.
Há um mês, o FMI previa crescimento de 0,5% nos países industrializados e de 3% no mundo para o ano de 2009. As principais Bolsas européias fecharam com queda forte pelo segundo dia consecutivo com os investidores interpretando os cortes de juros promovidos pelo Banco Central Europeu (BCE) e pelo Banco da Inglaterra (BoE) como um sinal de que as condições da economia da região são piores do que se esperava.
”Uma ação drástica se justifica, mas há risco de a munição acabar muito rapidamente”, comentou Simon Ward, economista da New Star Asset Management, a respeito do corte do BoE. “Os cortes terão efeito limitado, a menos que o sistema financeiro recomece a funcionar normalmente”, afirmou.
A Bovespa fechou em queda de 3,77%, seguindo o péssimo humor do mercado internacional. O economista americano Jim ONeill Chefe do Departamento de Pesquisas Econômicas do banco Goldman Sachs e criador da famosa sigla Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), afirma que a saída (dos investidores do mercado brasileiro) não tem nada a ver com o Brasil. “Ela tem tudo a ver com a profunda falta de crédito”, disse.
