Apesar da previsão de que os setores mais afetados pela crise sejam os de bens de maior valores, a indústria calçadista já está refazendo seus planos para o próximo ano.>
Segundo o diretor comercial da Calçados Jacob (Novo Hamburgo/RS), fabricante da marca Kildare, Fernando Alano, mais nocivo do que a crise econômica é a crise de confiança. “Na realidade essas notícias contraditórias que vemos todos os dias assustam um pouco e têm reflexos imediatos nos mercados. Existe uma desconfiança generalizada que vai desde as instituições financeiras – com retração de crédito, até a indústria e a ponta final do varejo”, comenta o calçadista.
Alano ressalta que o momento é de cautela e corte de custos desnecessários, porém ainda acredita num crescimento no próximo ano. “Estamos realizando um planejamento de forma mais comedida e cortando alguns gastos desnecessários como viagens ao exterior”, revela o empresário, ressaltando que, por outro lado, não existe nenhuma medida que acene para corte de custos através de demissões na empresa que conta com 750 funcionários. Alano ressalta que a tradicional indústria, que está há 80 anos no mercado, já passou por crises muito piores, como o Crash da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929.
“O mundo não vai acabar. Até acho bom que aconteçam essas turbulências de vez em quando para o mercado não perder o foco. Na verdade, com a expansão de crédito, o mundo relaxou”, opina. Em 2008 o dirigente revela que as expectativas estão todas sendo cumpridas, inclusive no que diz respeito ao mercado internacional, para onde embarca 15% de sua produção (cuja o empresário não quis revelar). “Agora o Natal vai nos mostrar se o nosso setor realmente vai passar por todos esses problemas que as notícias vem trazendo”, conclui o diretor, admitindo que a indústria está refazendo planos de crescimento para o próximo período.
