Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), revela que o Índice de Desempenho Industrial (IDI-RS), apresentou alta de 12,3% em setembro, comparado ao mesmo período de 2007. É o 24º mês consecutivo de crescimento.
A acentuada recuperação da atividade industrial se explica, em parte, por este mês ter contado com 22 dias úteis, contra 19 em setembro de 2007. O presidente da Fiergs, Paulo Tigre, porém, faz um alerta. “O cenário ainda é de crédito mais restrito e caro para produtores e consumidores. Além disso, os indicadores dos países desenvolvidos sinalizam menor atividade econômica, o que deve gerar uma demanda global mais fraca”, observa. Para o Rio Grande do Sul, uma das ameaças é a queda no preço das commodities, sobretudo a soja, e que pode afetar o desempenho do agronegócio e toda a cadeia produtiva a ela vinculada.
A elevação do IDI-RS em setembro, revelada na última pesquisa, deve-se, em grande parte, ao crescimento das variáveis faturamento (12,6%), compras (18,3%) e horas trabalhadas na produção (16%), influenciadas pelo maior número de dias úteis este ano. No acumulado dos primeiros nove meses de 2008, a expansão da atividade industrial gaúcha é de 7,5%, a mais elevada nos últimos oito anos. O bom desempenho se deve a quatro setores que mais puxam o crescimento: máquinas e equipamentos (27,3%), veículos automotores (16,9%), produtos de metal (11,7%) e alimentos (7,8%). Porém, as maiores quedas ocorreram em fumo (-13,7%), bebidas (-4,6%), couros (-4,1%) e químicos (-0,6%). Em sintonia com o nível de atividade industrial no RS, o emprego teve elevação de 5,3% no Estado, a maior em sete anos.
Lado ruim
Já a sondagem industrial do terceiro trimestre 2008 realizada pela Fiergs, revela a percepção dos empresários gaúchos com a piora do cenário econômico internacional e seus reflexos no Brasil. O presidente da FIERGS, Paulo Tigre acredita que, “apesar da economia brasileira estar mais bem preparada para enfrentar a crise financeira mundial do que em outros momentos, o setor já está sofrendo seus impactos”.
De acordo com os industriais, as margens de lucros foram consideradas ruins e os problemas enfrentados continuam sendo a elevada carga tributária sinalizada por 55,1% dos entrevistados, a competição acirrada de mercado (43,8%), o alto custo da matéria-prima (38,2%) e as taxas de juros (28%). “Os resultados confirmam que a crise internacional mudou a percepção dos industriais no Rio Grande do Sul e já produz reflexos sobre a produção, o emprego, e a renda”, salientou Tigre, destacando que ainda devem ser sentidos impactos em 2009.
