Operações de proteção cambial contra queda do Dólar inverteram a mão e agora empresários amargam prejuízos reais
Assim como Sadia, Aracruz e Votorantim anunciaram perdas de R$ 5 bilhões com operações de derivativos cambiais – proteção contra a desvalorização do dólar, os calçadistas também estão expostos a prejuízos. Apesar dos executivos do setor no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, esquivarem-se para falar sobre a situação das operações, a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) foi notificada sobre o problema e já fez contatos com o governo federal para buscar medidas de apoio. Também a governadora Yeda Crusius e empresários de vários segmentos produtivos estiveram nesta quarta-feira, dia 29 de outubro, em Brasília atrás de alternativas.
Nas duas frentes – entidade calçadista e Palácio Piratini -, o pleito é por linha de crédito especial.
O diretor executivo da Abicalçados, Heitor Klein, informou que a entidade está buscando conhecer como esse problema está afetando o setor global – todo o Brasil – e que pode impactar no capital de giro das empresas. “Estamos fazendo contatos com autoridades federais e com os bancos oficiais (BNDES e Banco do Brasil) para que seja tomada uma providência, como a criação de um financiamento especial.” Uma das hipóteses é a reativação do programa Revitaliza, que tem juros mais baixos e permitiria às empresas manter seus negócios.
O Revitaliza ofertou para os órfãos do câmbio (dólar estava em baixa) linhas de crédito a juros de 8,5% ao ano, prazo de reembolso de 36 meses e carência de 18 meses e as empresas adimplentes tinham direito a um bônus de 20% dos juros devidos. Agora, em meio à crise financeira, o governo voltou a liberar crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas os juros saltaram para 15% ao ano, mais spread do agente financeiro.Outra medida acessória que será levada a cabo pela Abicalçados é o levantamento com quais os bancos privados as empresas mantêm essas operações para que se possa encaminhar algum tipo de negociação.
A governadora ficou sabendo da extensão do problema das empresas com operações de derivativos na segunda- feira, 27, durante reunião- almoço do Conselho Político do Governo, segundo o deputado João Fischer, Fixinha (PP). O parlamentar informou que só no Rio Grande do Sul são cerca de 40 empresas, grandes, pequenas e médias, que juntas empregam diretamente mais de 60 mil trabalhadores. Ele também participa da reunião nesta quinta-feira com a bancada federal gaúcha e com membros do governo federal, em Brasília, onde Yeda Crusius deve interceder em favor das empresas exportadoras. A proposta é pedir a liberação imediata de linhas de crédito.
O que são derivativos?
Derivativos cambiais são operações escoradas em contratos com vencimentos futuros. Apesar do vencimento ocorrer de um a dois anos, em média, o preço do dólar do contrato é fixado no momento da assinatura. Assim, se o dólar cai, os bancos cobrem o prejuízo e as empresas lucram, mas se a cotação sobe, ganham os bancos. Só que a disparada da moeda americana é tão forte no último mês, que teme-se que as empresas não tenham dinheiro para quitar suas dívidas.
As empresas, com dívidas em reais, fizeram contrato para vender o dólar nos dias de vencimento das contas. Usaram, por exemplo, a cotação de R$ 1,65. Dessa forma, iriam adquirir os reais necessários pra pagar as contas e não teriam perdas, caso houvesse uma eventual desvalorização do dólar. No entanto, aconteceu justamente o contrário, pois o real se desvalorizou devido à crise financeira e as empresas precisam honrar o contrato e vender os dólares a 1,65. Resumo da ópera: prejuízo
