Bolsas subiram demais, mesmo sem nenhuma notícia relevante que justificasse recuperação
O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta terça-feira que a crise não irá arrefecer, ou seja, os baixos índices de hoje não são o fundo do poço. “A crise terá longa duração e magnitude inédita”, afirmou Mantega durante encontro em Brasília promovido pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). “Vamos ter um forte impacto na atividade econômica, na economia real, e o mundo todo vai desacelerar e isso está ficando nítido agora”, reiterou ele.
As bolsas de valores viveram hoje um dia muito peculiar. Em meio a violenta crise que ataca a economia mundial, as bolsas de valores tiveram altas surpreendentes. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou as operações com alta superior a 12%. Nenhuma notícia importante foi divulgada hoje que pudesse justificar altas tão expressivas. Hong Kong subiu 14%, Japão mais de 6%, Alemanha 11,28%.
Analistas acreditam que as fortes quedas nos últimos dias (Bovespa perdeu 40% em outubro), teria aberto o apetite de especuladores, que se atiraram em ações consideradas subvalorizadas. É a velha tentativa de tentar “acertar o fundo”. Há poucos dias o mega investidor norte-americano Warren Buffet tentou fazer esta manobra e teria perdido próximo a US$10 bilhões.
“O pacote de medidas adotadas nos Estados Unidos e na Europa apenas mitigou o problema. O problema da liquidez do crédito não está resolvido e portanto vai afetar seriamente a economia real”, prosseguiu explicando Mantega. Ele acredita, entretanto, que os países chamados emergentes terão melhores condições de suportar a crise. “São economias mais dinâmicas e com maior potencial de crescimento”, analisou.
O Banco Central (BC) voltou a realizar leilões de swap cambial, mas o volume foi bem menor do que nos dias anteriores: apenas US$497 milhões. O Dólar recuou significativamente com as altas e fechou o dia a R$2,13, numa queda de mais de 6%.
