Apesar de satisfeita com a vida sexual, região Sul exige desempenho e boa aparência física na hora do sexo. Estudo sobre perfil afetivo-sexual indica mudança de comportamento de curitibanos e gaúchos na última década
Que o sexo é importante para a harmonia do casal, mais de 96% dos curitibanos e dos gaúchos concordam. E isso não tem nada a ver com quantidade de relações íntimas. Cerca de 80% deles classificam sua vida sexual como boa ou excelente, com uma freqüência de duas a três relações por semana. São os dados da pesquisa Mosaico Brasil na região Sul do País. Conduzido pela professora Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, o estudo ouviu 1.643 homens e mulheres com mais de 18 anos de Curitiba e Porto Alegre.
O estudo é nacional e vai mapear, ao longo do ano, o comportamento afetivo-sexual do brasileiro em 10 capitais. Mais abertos na última década, a maioria dos homens e mulheres dessas duas capitais da região Sul declarou conversar com a família sobre sexo. “Isso, há dez anos, era bem diferente. O tema sexualidade era tratado com inibição dentro de casa”, afirma a professora Carmita Abdo.
Pela pesquisa, mais de 70% dos respondentes têm consciência de que a realização sexual depende do casal. Entre sentir vontade de ter uma relação íntima e abordar a parceria, 66,8% dos gaúchos e 61,4% das gaúchas precisam de até 30 minutos. Os curitibanos também não perdem tempo, 65,5% dos homens e 55,8% das mulheres o fazem em até meia hora. Já o número de pessoas que esperam o outro fazer tal abordagem foi pequeno entre os homens: 5,7% dos gaúchos e 3,5% dos curitibanos contra 18% das mulheres de ambas cidades.

Porém, o desempenho sexual é uma preocupação freqüente para praticamente 90% dos curitibanos e gaúchos de ambos os sexos. Homens e mulheres têm medo de decepcionar o(a) parceiro(a): 63,5% dos curitibanos, 62,3% das curitibanas, 66,3% dos gaúchos e 52,2% das gaúchas. Outro fator que influencia o sexo, de acordo com homens e mulheres, é a auto-imagem. Para 58,3% dos curitibanos, 71,5% das curitibanas, 63,0% dos gaúchos e 68,9% das gaúchas sentir-se bem fisicamente impacta positivamente na relação sexual.
Mais de 65% dos homens e mulheres de Porto Alegre e Curitiba concordam que a preocupação da mulher com sua própria aparência física é comparável com a do homem em não falhar. Cerca de 38% dos gaúchos e curitibanos perceberam uma piora na qualidade de ereção com o passar dos anos.
Perguntados sobre a importância da aparência da parceira, mais de 90% dos gaúchos e curitibanos afirmam que a imagem é fator importante para o estímulo sexual. Cerca de 70% das mulheres respondentes também disseram ser estimuladas pelo físico do parceiro.
A freqüência semanal com que homens e mulheres fazem sexo é semelhante nas duas cidades. Gaúchos e curitibanos disseram ter três relações por semana, enquanto as gaúchas e curitibanas responderam duas. Em média, duas relações sexuais acontecem no mesmo encontro, com a segunda ocorrendo em até uma hora depois da primeira para mais de 60% das mulheres e 72% dos homens.
