Pensador e ativista político francês, Daniel Bensaid, faz balanço da crise política
A convite da Feira do Livro de Porto Alegre, o pensador francês Daniel Bensaïd esteve esta semana na capital gaúcha para falar do seu mais novo lançamento: Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente, publicado no Brasil pela editora Boitempo.
Às 19 horas desta quarta-feira, 5, ele fala, a partir das 19 horas, na Sala dos Jacarandás, Memorial do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega, com a mediação de Ronan Prigent, adido cultural da França. O livro integra a coleção Marxismo e Literatura, sob a coordenação de Leandro Konder.
Bensaid falou com o novohamburgo.org sobre as perspectivas do mundo diante da crise, tanto do capital, como da ideologia que defende, o marxismo. “Marx está na moda”, diz ele, explicando que mesmo os pensadores capitalistas percebem a profundidade das teorias marxistas e do acerto de suas idéias. “Eles precisam de Marx para entenderem o mundo que eles mesmos criam”, lembrando que o atual ciclo econômico mostra a vitalidade e a atualidade de Marx.
Bensaid fez um breve relato da situação do mundo e das lutas populares. “A Ásia é hoje um importante foco de resistência dos trabalhadores revolucionários”, contando que em muitos países como Filipinas, Coréia do Sul, Indonésia, China, e mesmo o Paquistão – país muçulmano que não tolera o pensamento marxista -, começam a gestar lutas operárias de libertação.
Ele também conta que a Europa passa por um processo de reestruturação das esquerdas. “Os partidos comunistas tradicionais, estalinistas, estão acabando”, diz. A França, o seu país, também experimenta um processo de reorganização da esquerda, anunciando a criação de um novo partido a partir da LCR (Liga Comunista Revolucionária). O congresso de fundação do novo partido acontece nos dias 24 e 25 de janeiro. “Não há mais espaço para a social democracia. A disputa entre a extrema esquerda e a extrema direita nestas últimas eleições presidenciais mostra isso”, aponta.
Bensaid acredita que as eleições do parlamento europeu, que acontecem em março do próximo ano, podem ser um marco nesta luta, já que a previsão é de que a crise econômica esteja em seu auge naquele período. A desilusão é muito grande. “O povo está indignado, pois, por exemplo, passamos seis meses discutindo a destinação de 1 bilhão de Euros para aumentar o salário mínimo e, numa penada, o presidente Sarcozy destinou 400 bilhões para salvar os bancos falidos”, contou.
Mesmo assim, Bensaid não arrisca palpites sobre o futuro do mundo. “A vitória de Barack Obama não representa mudança. É apenas uma defesa do povo à crise econômica”, avalia. “A crise é terrível, mas é difícil entender o que se dará no concreto”, finaliza.
