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Cruzeiro do Sul resiste e floresce: mais de um século de história negra em Novo Hamburgo

RedaçãoPor Redação5 de julho de 2025Atualizado:5 de julho de 20254 Mins Leitura
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Sociedade Cruzeiro do Sul resgata sua história
Sociedade Cruzeiro do Sul resgata sua história. Foto: Sociedade Cruzeiro do Sul/Arquivo
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Com 103 anos de história, Sociedade Cruzeiro do Sul reafirma seu papel na cultura e resistência negra no Vale dos Sinos. Presidente Deivis Rafael da Silva fala sobre passado, presente e futuro da entidade.

No coração do bairro Primavera, em Novo Hamburgo, pulsa há mais de um século uma das entidades mais simbólicas da cultura afro-brasileira no Vale do Sinos e no Rio Grande do Sul: a Sociedade Cruzeiro do Sul. Fundada em 28 de outubro de 1922 por seis amigos negros no então bairro África (hoje conhecido como Guarani), a instituição atravessa gerações como espaço de acolhimento, memória, arte e resistência. À frente da entidade desde 2023, o engenheiro civil e carnavalesco Deivis Rafael da Silva lidera um processo de revitalização que combina tradição e inovação.

Em entrevista ao episódio 1350 do programa Conversa de Peso, apresentado por Rodrigo Steffen, na Vale TV, Deivis compartilhou sua trajetória pessoal ligada à entidade, relembrou momentos marcantes da história do Cruzeiro e projetou os próximos passos da organização. A entrevista, gravada no início de julho, marca também o período que antecede novas eleições internas da sociedade.

Assista à entrevista completa:
Assista no YouTube

Herança e identidade

Deivis Rafael da Silva, Presidente da Sociedade Cruzeiro do Sul
Deivis Rafael da Silva, Presidente da Sociedade Cruzeiro do Sul. Foto: Vale TV/Arquivo

Filho do seu Celomar e da dona Lone, Deivis cresceu entre os desfiles, ensaios e eventos comunitários do Cruzeiro. “Desfilei pela primeira vez com 8 anos. Antes disso, já acompanhava meu pai e minha mãe nos bastidores, confeccionando fantasias e ajudando na produção do Carnaval”, conta. A ligação afetiva se tornou também compromisso cívico. Hoje, como presidente, ele lidera iniciativas que buscam resgatar a memória da entidade e ampliar seu impacto social.

“Cruzeiro é mais do que escola de samba. É um espaço de pertencimento. Um território simbólico onde as pessoas negras de Novo Hamburgo puderam — e ainda podem — existir com dignidade”, destaca. Fundada em um contexto de exclusão racial, quando clubes sociais da cidade impediam a presença de pessoas negras, a Sociedade Cruzeiro do Sul se consolidou como alternativa de expressão cultural e convívio comunitário.

A potência do Carnaval

A conversa também trouxe à tona o apagamento progressivo do Carnaval de rua em Novo Hamburgo. “Estamos há mais de cinco anos sem um Carnaval construído coletivamente. Perdemos o brilho, o envolvimento, a essência”, lamenta Deivis. Para ele, o Carnaval é uma poderosa plataforma de criação cultural, formação cidadã e economia criativa.

“O desfile de 40 minutos na avenida é apenas a ponta do iceberg. Há pesquisa, desenho, confecção, música, coreografia, logística. É uma escola viva de arte e gestão”, ressalta. Ele também lembra que espetáculos como o Natal Luz, em Gramado, são em grande parte idealizados por profissionais formados no universo do Carnaval. “É teatro de rua, é brasilidade em estado puro.”

Educação, inclusão e o futuro

Além das atividades culturais, o Cruzeiro mantém hoje o projeto “Sábado das Pessoas”, que atende de 30 a 40 crianças com oficinas e atividades comunitárias. A proposta é expandir as ações para dias úteis, ocupando o contraturno escolar com práticas educativas e de inclusão social.

A entidade também investe em pesquisas históricas sobre a presença negra em Novo Hamburgo. Visitas à biblioteca pública têm rendido descobertas sobre fundadores, eventos e registros antigos, num esforço de resgate da memória coletiva. “É um direito saber de onde viemos. Quando se apaga essa história, se apaga também a dignidade do nosso povo”, afirma.

LEIA TAMBÉM: Sociedade Cruzeiro do Sul: primeiro clube social negro no Vale do Sinos

Resistir é construir

Apesar de desafios estruturais e financeiros, Deivis vê o futuro com otimismo. “Cruzeiro é um lugar onde todos são bem-vindos. É uma sociedade negra, sim, mas que acolhe a todos. Precisamos seguir fortalecendo esse espaço como ferramenta de transformação social, especialmente no combate ao racismo e na valorização da cultura afro-brasileira.”

Com eleições marcadas para julho e novos projetos em andamento, a Sociedade Cruzeiro do Sul segue viva, forte e essencial. Um símbolo do que significa resistir com arte, memória e afeto.

Entrevista para o programa Conversa de Peso, com Rodrigo Steffen

carnaval Cruzeiro do Sul.
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Redação

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