Pinacoteca da Feevale apresenta até o dia 18 de junho a exposição ¨Cruzamentos e Sentidos
A Pinacoteca Feevale apresenta a exposição “Cruzamentos e Sentidos”, que reúne obras de seis artistas visuais: Alfredo Nicolaiewsky, Marcelo Gobatto, Maria Lúcia Cattani, Paulo Gomes, Lenir de Miranda, Maristela Salvatori. A curadoria é de Icleia Borsa Cattani. A visitação ocorre até 18 de junho, de segunda a sexta, das 8h às 22h, e no sábado, das 8h às 17h30min, com entrada franca.
Leia o texto da curadora sobre as obras dos artistas
Esta mostra visa evidenciar os cruzamentos que colocam certas obras sob o signo das mestiçagens. Essas emergem dos novos sentidos produzidos pela convergência de diferentes problemáticas processuais, formais, de materiais e suportes que, embora tocando-se, não se fundem.
Alfredo Nicolaiewsky apresenta imagens digitalizadas, não manipuladas, que captam o exato instante de um filme em que a mudança de cena coloca duas situações diferentes num mesmo espaço, criando uma terceira imagem, efêmera e perturbadora, que nos faz questionar sua pretensa realidade. Marcelo Gobatto mostra um vídeo, no qual entrecruza imagens fixas e em movimento: pequenos fragmentos que evidenciam a pregnância do tempo sobre os corpos, os deslocamentos, os olhares no tecido da cidade, fazendo-nos perceber a coexistência de diferentes temporalidades. As obras dos dois artistas cruzam-se na coexistência de fragmentos, instantes, tempos provisórios ou, talvez, suspensões ínfimas de tempo, nos quais a realidade torna-se outra.
Maria Lúcia Cattani mostra gravuras realizadas com jato de tinta, a partir de fotografias de pinturas murais feitas pela própria artista, instaurando um processo no qual novas obras nascem de outras já realizadas, mas migram de uma técnica à outra, de uma linguagem formal e matérica à outra. Maristela Salvatori cria uma imagem modular, estruturada por uma grade que gera rupturas e descompassos no seu próprio interior. Realizada em monotipia, a obra estabelece uma convergência de princípios opostos, a multiplicidade da gravura confrontada à obra única, gerando uma tensão.
Paulo Gomes realiza “paisagens”, nas quais as imagens são substituídas pelas palavras, o tempo unificado da observação pelo tempo linear da leitura, a instantaneidade da cena representada pelo desenrolar da narrativa. Instaura, ainda, uma operação de apropriação, pois as “paisagens” são extraídas de romances do século XIX. Essas três obras têm em comum o fato de partirem de modalidades da linguagem gráfica tradicional, inserindo elementos que as subvertem e gerando tensões constitutivas à própria obra.
Lenir de Miranda alude à sociedade de consumo globalizado, subvertendo um dos ícones desta: os fast foods. As bandejas de plástico e alumínio próprias desses alimentos são investidas de novos sentidos, críticos e políticos, poéticos e reflexivos – “fast foods poemáticos”, unindo objets trouvés com textos, poemas e hai kais. Todas essas obras geram tensões em seu próprio interior, abrindo-as constantemente a novas e múltiplas percepções.
