Representantes da cultura popular defendem o Carnaval, a valorização das escolas de samba e políticas permanentes para o setor
O Carnaval no Vale do Sinos foi o tema central do programa Estação Hamburgo do dia 13 de fevereiro de 2026. O debate reuniu Danusa Alhandra, diretora da Sociedade Beneficente Cultural Filantrópica Protegidos, Deivis Rafael da Silva, presidente da Sociedade Cruzeiro do Sul, e Ramão Carvalho, carnavalesco da Sociedade Cultural Beneficente e Carnavalesca Império do Sol, que analisaram os desafios, o papel social e o impacto econômico das escolas de samba nas cidades de Novo Hamburgo e São Leopoldo.
Ao longo da conversa, os convidados defenderam maior reconhecimento institucional para o Carnaval e destacaram que a festa vai muito além dos desfiles, representando identidade, resistência cultural e transformação social.
Escola de samba como espaço de pertencimento

Danusa Alhandra destacou que as escolas de samba cumprem uma função social permanente nas comunidades.
Segundo ela, o Carnaval não se resume ao evento anual, mas envolve trabalho contínuo ao longo de todo o ano, com ensaios, oficinas e atividades culturais. “A escola de samba é um espaço de pertencimento”, afirmou, ressaltando que muitos jovens encontram nesses espaços uma oportunidade de formação artística e convivência comunitária.
Danusa também reforçou a necessidade de o poder público reconhecer o Carnaval como patrimônio cultural e ferramenta de inclusão social.
Fundada em 15 de novembro de 1969, a história está ligada diretamente a família Flores que está na escola desde o início, representada na figura de seu ex-presidente Sebastião Flores que ocupou o cargo de presidente desde sua fundação. A escola já conquistou 24 títulos ao longo da sua história. Em 1993 estreou no Carnaval de Porto Alegre, onde atualmente participa da Série Prata.
Falta de recursos e necessidade de planejamento

Deivis Rafael da Silva chamou atenção para os desafios financeiros enfrentados pelas agremiações no Vale do Sinos. Ele destacou que a ausência de políticas permanentes dificulta a manutenção de barracões, a confecção de fantasias e a organização estrutural dos desfiles.
Para ele, o Carnaval precisa ser tratado como investimento estratégico. “Não é gasto, é investimento”, argumentou, ao lembrar que a festa movimenta setores como comércio, alimentação, transporte e serviços.
O debatedor defendeu planejamento antecipado e integração entre escolas, poder público e iniciativa privada para garantir previsibilidade e sustentabilidade ao evento.
A Sociedade Cruzeiro do Sul tem mais de 103 anos de história. Fundada em 22 de outubro de 1922, como clube de futebol. Na época os clubes da cidade não aceitavam a participação de negros, essa foi uma das fortes razões para a criação do novo clube.
Alguns dos envolvidos na criação do novo clube foram: João Teles, Cassiano Teles e Álvaro Pacheco. A maioria dos fundadores do novo clube participavam do bloco de carnaval Os Leões. Seu primeiro presidente foi Paulinho Batista Coelho. Com o passar dos anos o carnaval adquiriu uma importância maior que o futebol.
Resistência e identidade cultural

Ramão Carvalho enfatizou a dimensão simbólica do Carnaval na região. Para ele, mesmo diante das dificuldades, as escolas seguem resistindo e mantendo viva uma tradição que atravessa gerações.
“O Carnaval é resistência, é alegria e é identidade”, resumiu, ao destacar o esforço coletivo das comunidades envolvidas.
Ele também abordou o preconceito histórico enfrentado pelo Carnaval e reforçou que a cultura popular precisa ser incluída no planejamento estratégico das cidades do Vale do Sinos.
A Império do Sol foi fundada em 20 de fevereiro de 1988 na Sociedade Recreativa Rio Branco. Foi campeã em São Leopoldo sete vezes, participa dos desfiles em Porto Alegre desde 1994, onde está na Série Ouro do Carnaval. Seu presidente é Alzemiro da Silva, o Miro.
Impacto social e econômico na região
Os participantes convergiram na avaliação de que o Carnaval regional tem potencial de fortalecer a economia criativa e ampliar o turismo local. Além do impacto econômico, o evento gera mobilização comunitária e promove integração social.
Em municípios como Novo Hamburgo, São Leopoldo e Estância Velha, as escolas de samba envolvem centenas de pessoas durante o ano, consolidando-se como importantes polos culturais.
O debate reforçou que o futuro do Carnaval no Vale do Sinos depende de diálogo, organização e valorização institucional, garantindo que a festa continue sendo símbolo de identidade e transformação social na região.
LEIA TAMBÉM: Curso de futsal para professores da rede municipal tem inscrições abertas em Novo Hamburgo
Clique na imagem abaixo para assistir ao programa Estação Hamburgo no canal da Vale TV no YouTube:
O Estação Hamburgo é um programa exclusivo da Vale TV. Exibido ao vivo, de segunda a sexta-feira, das 20h às 21h, o programa reúne convidados em uma bancada de debates que analisa temas de interesse público. Desde 2015, o Estação Hamburgo se consolidou como um espaço plural e democrático, voltado à comunidade, com pautas que abrangem política, cultura, sociedade e as principais pautas da região.
O Estação Hamburgo tem o patrocínio de Calçados Beira Rio 50 anos, Construtora Concisa, JG Serviços, Merkator Feiras e Eventos e Universidade Feevale.
Debate realizado no dia 13 de fevereiro de 2026 no programa Estação Hamburgo, apresentado por Rodrigo Steffen.

