Debate no Estação Hamburgo destacou o Carnaval e sua força econômica, histórica e comunitária das festas carnavalescas, com programação intensa no Grêmio Atiradores, Baile Infantil na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo e mobilização cultural do Bloco “Não Cutuca Que Eu Me Empolgo”, em São Leopoldo
O Carnaval 2026 ganhou corpo no Vale do Sinos, com eventos realizados, resgate histórico e expectativa de grande público em Novo Hamburgo e São Leopoldo até o fim de março. O tema foi debatido no programa Estação Hamburgo, da Vale TV, na noite de 12 de fevereiro de 2026, reunindo convidados diretamente ligados à organização de algumas das principais festas da região.
Participaram do programa Daniel Fagundes dos Santos, representante do Bloco de rua “Não Cutuca Que Eu Me Empolgo” (São Leopoldo), Luis Fernando Rodembuch, produtor cultural, apresentador da Vale TV e figura tradicional das festas de salão, seja como diretor da Paranóia Produções, seja como folião, Marcos Bock, gestor executivo do Grêmio Atiradores de Novo Hamburgo, e a presente do Grêmio Atiradores, Sabrina Wildner. O debate, conduzido pelo apresentador Rodrigo Steffen, destacou não apenas a programação carnavalesca, mas também o impacto cultural, social e econômico do evento para a comunidade.
Novo Hamburgo projeta uma das maiores edições do Carnaval Preto e Branco
Em Novo Hamburgo, a expectativa girou em torno do tradicional Carnaval Preto e Branco, realizado no Grêmio Atiradores. Segundo Sabrina Wildner, o evento do ano passado reuniu mais de 4 mil pessoas, consolidando-se como uma das maiores festas carnavalescas da história recente do clube e da cidade.
O diretor Marcos Bock reforçou que o crescimento do Carnaval é fruto de planejamento e construção contínua. “Carnaval é uma construção. A gente precisa entender que o que funcionava nos anos 1990 talvez não seja mais o que o público procura hoje, mas carnaval é carnaval, tem que manter a identidade”, afirmou durante o programa.
Para 2026, a proposta foi de intensificar ainda mais a experiência do folião desde a chegada ao evento. A recepção foi feita pela escola de samba Cruzeiro do Sul, que recepcionou o público com bateria e passistas, criando um “corredor de samba” na entrada.
A programação contou com atrações como o Pagode do Tchotcha, a banda Sétimo Sentido e o DJ Pava, trazendo repertório popular e atual, conectado com tendências de redes sociais e plataformas digitais.
Segurança e estrutura: cerca de 300 pessoas envolvidas no evento
Além do espetáculo, os bastidores também chamaram atenção pelo volume de profissionais envolvidos. Bock revelou que aproximadamente 300 pessoas trabalham diretamente na estrutura do Carnaval do Atiradores, somando equipes de segurança, limpeza, bares, atendimento, acessos, serviços médicos e organização.
Somente a equipe de segurança, conforme relatado, chegaria a reunir entre 70 e 80 profissionais, além do apoio de instituições como Brigada Militar, Guarda Municipal e Prefeitura.
“É um evento da cidade. O que a gente mais quer é ver as pessoas felizes e voltando para casa bem”, destacou Bock, ao comentar que o receio e a preocupação são parte do processo para garantir que tudo ocorra sem incidentes.
O clube também organizou uma estrutura específica para facilitar a mobilidade urbana, com espaço reservado para táxis e carros de aplicativo, pensando na segurança do público e no fluxo de chegada e saída.
Economia criativa e comércio aquecido em Novo Hamburgo
Um dos pontos mais destacados no debate foi o impacto econômico do Carnaval. Para Marcos Bock, a festa movimenta não apenas o clube, mas toda a cidade.
Ele citou que o comércio local, nas semanas que antecedem o evento, já sente os efeitos: vitrines decoradas, roupas temáticas, acessórios e adereços carnavalescos tomam conta das lojas. “O ingresso é só uma parte. A pessoa compra roupa, sapato, maquiagem, faz cabelo, compra bolsa, batom… isso gira a economia”, comentou.
Em tom descontraído, a bancada chegou a estimar que o giro financeiro da festa pode alcançar valores expressivos. Durante a conversa, foi citado que um evento desse porte pode movimentar até meio milhão de reais em uma única noite, considerando consumo, deslocamento e serviços agregados.
Carnaval Infantil resiste e vira opção para famílias
Outro tema importante abordado foi o Carnaval Infantil, que hoje se mantém como uma das poucas alternativas tradicionais na cidade. Marcos Bock e Fernando Rodembuch lembraram que Novo Hamburgo já teve diversos bailes infantis, mas atualmente esse tipo de festa está concentrado em poucos espaços.
No Grêmio Antidotores, por exemplo, o Carnaval Infantil será realizado com novidades como o “deck das piscinas”, criando uma área diferenciada para o público brincar próximo ao espaço aquático. Também foi anunciado um concurso especial: o Concurso Cover de Ana Castela, voltado principalmente para crianças e jovens que quiserem participar vestidas com figurino inspirado na cantora, fenômeno nacional do momento.
O concurso será paralelo ao tradicional concurso de fantasias, mantendo o espírito familiar do Carnaval de salão.
Fernando Rodembuch ressaltou que o Carnaval Infantil tem papel essencial na formação cultural das novas gerações. “As mães preparam as crianças, é um momento temático, uma tradição que precisa ser preservada”, disse. A Paranóia participa nesta terça, 17 de fevereiro, da realização dos dois principais Carnavais Infantis de Novo Hamburgo: o Vermelhinho e Branquinho, na Sociedade Ginástica Novo Hamburgo, e o Pretinho e Branquinho, na Sociedade Atiradores de Novo Hamburgo.
São Leopoldo fortalece carnaval de rua e resgata memória histórica
Em São Leopoldo, o debate trouxe destaque para a atuação do bloco “Não Cutuca Que Eu Me Empolgo”, que há 12 anos ocupa as ruas e defende a cultura carnavalesca como expressão popular e movimento de resistência.
Daniel Fagundes explicou que o bloco surgiu a partir de mobilizações culturais na cidade, especialmente em momentos em que a comunidade sentiu que a cultura carnavalesca estava sendo enfraquecida.
“O bloco se empolgou e foi pra rua. É uma motivação política. A gente nasceu quando começaram a mexer com a cultura do Carnaval e com a cultura como um todo”, afirmou.
O grupo tem como palco principal a Rua Independência, local simbólico da história carnavalesca de São Leopoldo, já que antes do surgimento do sambódromo e da concentração das escolas de samba, os desfiles aconteciam ali.
Além de desfile, o bloco também promove atividades ao longo do ano, como eventos temáticos, ensaios em praças e ações culturais voltadas às famílias e às crianças, com brinquedos, apresentações e espaços recreativos.
Tema do bloco reforça diversidade religiosa e respeito
Daniel também destacou que, em 2026, o bloco levou para as ruas um tema ligado à diversidade religiosa e ao respeito à espiritualidade, defendendo o Carnaval como espaço democrático e plural, capaz de acolher diferentes expressões culturais e sociais.
Essa proposta reforça um dos traços mais característicos do Carnaval de rua: ser uma celebração que mistura alegria e crítica social, mantendo viva a tradição popular.
Ticket médio alto e impacto no comércio leopoldense
A organização do bloco também vem adotando estratégias mais estruturadas para fortalecer sua atuação. Daniel relatou que o grupo levou cerca de dez anos para amadurecer a ideia de se formalizar juridicamente, principalmente para ter acesso a editais e ampliar possibilidades de financiamento cultural.
Segundo ele, pesquisas internas apontam que o ticket médio do público que participa do bloco passa de R$ 100, considerando gastos com transporte, consumo e alimentação, o que comprova o impacto direto do evento na economia local.
Além disso, ele citou que cerca de 50% do público do bloco não é de São Leopoldo, vindo de cidades como Novo Hamburgo, Sapucaia do Sul, Canoas e até Porto Alegre, favorecido pela mobilidade facilitada pelo trem.
Programação prevista: escolas de samba e blocos em São Leopoldo
O bloco também reforçou a programação carnavalesca prevista na cidade. De acordo com Daniel Fagundes, no dia 7 de março acontece o Carnaval das Escolas de Samba em São Leopoldo. Já no dia 14 de março, está em construção uma atividade voltada aos blocos, com o objetivo de reativar e fortalecer o circuito carnavalesco de rua, incentivando inclusive a criação de novos grupos.
“São Leopoldo já chegou a ter mais de 40 blocos. Agora existe um movimento para reativar isso”, explicou.
Ele também citou a tradicional atuação da Sociedade Orpheu, que segue mantendo eventos carnavalescos e se soma a esse esforço coletivo de preservação cultural.
Carnaval como memória afetiva e identidade do Vale do Sinos
O programa também resgatou memórias antigas do Carnaval na região, lembrando blocos históricos e figuras tradicionais que marcaram gerações. Fernando Rodembuch relatou lembranças do tempo em que acompanhava atividades ligadas ao rádio e aos primeiros carnavais de salão em Novo Hamburgo, citando inclusive experiências familiares, com seu pai Celestino Rodembuch, com radionovelas e cultura popular.
A conversa reforçou que, para além da festa, o Carnaval representa identidade comunitária, memória afetiva e pertencimento. Para muitos moradores do Vale do Sinos, é uma tradição que atravessa décadas, reinventando-se sem perder o espírito de celebração coletiva.
Em meio a mudanças culturais e redução de alguns eventos tradicionais, o fortalecimento de festas como o Carnaval Preto e Branco, os bailes infantis e os blocos de rua mostra que a região ainda preserva uma relação viva com a cultura popular.
E, como resumiu Marcos Bock no encerramento do debate: “Não existe pausa. Carnaval tem que ser construído o ano inteiro”.
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Clique na imagem abaixo para assistir ao programa Estação Hamburgo no canal da Vale TV no YouTube:
O Estação Hamburgo é um programa exclusivo da Vale TV. Exibido ao vivo, de segunda a sexta-feira, das 20h às 21h, o programa reúne convidados em uma bancada de debates que analisa temas de interesse público. Desde 2015, o Estação Hamburgo se consolidou como um espaço plural e democrático, voltado à comunidade, com pautas que abrangem política, cultura, sociedade e as principais pautas da região.
O Estação Hamburgo tem o patrocínio de Calçados Beira Rio 50 anos, Construtora Concisa, JG Serviços, Merkator Feiras e Eventos e Universidade Feevale.
Debate realizado no dia 12 de fevereiro de 2026 no programa Estação Hamburgo, apresentado por Rodrigo Steffen.

