Suplentes de senadores já ocupam mais de 20% das vagas do Senado
¨Qual sua profissão?¨- pergunta o atendente de uma loja. ¨Sou suplente de senador da República Federativa do Brasil ¨, diz o homem do outro lado do balcão. Essa é uma cena inusitada, mas bem que poderia ser verdade, ou melhor, está tornando-se uma verdade.
Quando votamos em um candidato ao Senado , sequer conhecemos quem são seus dois suplentes, em geral figuras desconhecidas, mas que poderão assumir por tempo indeterminado um dos cargos mais importantes do sistema republicano brasileiro.
E isso tem virado rotina na capital brasileira. De acordo com dados divulgados nesta terça-feira, dos 81 senadores federais, 19 não foram eleitos pela população, ou melhor, foram, mas não estavam na campanha eleitoral. O número assusta, afinal, são 20% de suplentes ocupando vagas de titulares, que se tornaram ministros, governadores, secretários de estados, estão concorrendo para prefeituras, ou somente tiraram férias, para fazer campanha eleitoral Brasil afora.
A farra dos suplentes não parece ter data para terminar. Uma proposta de emenda à Constituição que trata da situação dos suplentes, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça, está engaveta e esquecida.
E pela vontade dos senadores, não será aprovada, afinal, muitos dos suplentes são financiadores de campanhas eleitorais. É uma troca, você me financia e eu faço de você, um suplente da república.
A pressão dos suplentes, porém, impede que o texto que coloca regras nas suplências avance a ponto de acabar com estas vagas, como queria o relator Demóstenes Torres (DEM-GO).
