Feira nos Emirados Árabes atrai 13 fabricantes brasileiros de sapatos que lá permanecerão até a terça-feira, dia 19
A Expo Riva Middle East, que iniciou no domingo, dia 17 e prossegue até a terça-feira, dia 19, em Sharjah/Emirados Arabes, traz muita expectativa para o grupo de 13 indústrias brasileiras – somando 15 marcas, que estão participando desta edição do evento. É a primeira vez que as empresas expõem num evento voltado para o Oriente Médio e a maioria espera abrir novos mercados na região ou ampliar os embarques para alguns clientes tradicionais.
Entre os empresários que estão conhecendo aquele mercado está Fábio Sphor, diretor de exportações da Q.Sonho – Três Coroas/RS, que produz a marca Stephanie Classic. A empresa já exporta para Israel, Kuwait e Arábia Saudita, mas ainda não comercializa para os Emirados Árabes.
Sphor diz que está focado em atingir os sete emirados, porque é um mercado que está em franca expansão e devido ao turismo reúne um nicho de consumidores de alto poder aquisitivo, formado pela classe mais rica dos Emirados e dos turistas. Porém, ele entende que a diferença cambial pode atrapalhar os negócios, porque está causando a aproximação do preço do calçado brasileiro com o do europeu, principalmente o italiano.
Paulo Petry Junior, do setor de exportação da Biondini – Três Coroas, sentiu o problema ao receber um cliente que tem 85 lojas na Índia. Com uma coleção arrojada, voltada para boutiques, ele terá que rever a tabela para fechar negócios. Contudo, Petry avalia que a feira será um grande desafio para o Brasil, que é o de buscar importadores e mercados não tradicionais. É uma oportunidade impar que nós estamos tendo e isto é muito bom’’. A Biondini fabrica 900 pares/dia de calçados femininos de alta moda e é a primeira vez que participa de uma feira internacional.
Já a Francajel, de Franca/SP, atua no mercado do Oriente Médio há vários anos. A região compra entre 20 a 30% do total das exportações da fábrica. O diretor da empresa, Tamel Hajel, ensina que estes países exigem, acima de tudo, qualidade no produto. Eles não valorizam o sapato chinês, que é adquirido somente pela camada mais pobre da população. O consumidor médio para cima quer algo a mais e é este plus que o Brasil deve procurar, diz.
A Francajel é especializada em sapatos de conforto. Ele enfatiza que o Brasil deveria investir maciçamente na sua imagem na região do Golfo, porque muitos não sabem nem onde fica o País. A China, por exemplo, investiu milhões de dólares num prédio onde estão expostos todos os seus produtos, num grande show – room. Este é o caminho que nós deveríamos seguir. Por isto, segundo ele, esta feira é importante. É tímida, mas é um começo, aponta.
Já para Juliana Kauer, assessora de marketing do Brazilian Footwear – Programa de Promoção às Exportações, desenvolvido pela Abicalçados em parceria com a Apex-Brasil – enfatiza a importância do Brasil de fazer parte desta mostra, lembrando que o grupo brasileiro foi citado com destaque no discurso de abertura da feira e de ter sido o primeiro estande a ser visitado pela comitiva oficial, formada, entre outros, pelo sheik Khalid Abdalla el Kassim, um dos governantes dos Emirados Árabes.
A Expo Riva Schuh Middle East é organizada pela Expo Riva Fiericongressi, da Itália. Participam 200 expositores de 20 países, sendo que o Brasil é o segundo em número, perdendo apenas para os italianos. Localizada na Expo Centre Sharjah, a feira exibe calçados para compradores de diversos perfis, desde grandes volumes a high end. A feira também é um desafio para a promotora italiana, visto que ‘e a primeira vez que organiza um evento fora da Itália.
Os Emirados Árabes Unidos produzem cerca de 250 mil pares por ano, sendo que cinco milhões de pessoas residem no país. Para atender a demanda da população, precisam importar praticamente tudo o que consome. Suas compras passaram de 56 milhões de euros em 2000 para 155 milhões de euros em 2005. Da China, importam 56 por cento e da Itália, 17 por cento. O restante vem da Indonésia, Grécia, Egito, Turquia, Reino Unido, França e Malásia.
Em 2007, o Brasil exportou para os Emirados Árabes apenas um milhão de pares. A taxa de importação é de cinco por cento. Temos condições de ampliar este mercado, mas temos que saber trabalhar com ele, diz Rodrigo Spilla, da Sapatoterapia, de Franca/SP. A empresa, que já vende para países como Paquistão, Omã, Juwait, Jordânia, Israel e Dubai, aprendeu que é preciso entregar fielmente o produto que foi comprado e respeitar sua cultura. Eles são rigorosos e detalhistas, mas são excelentes negociantes e pagadores’’, ressalta.
Participam da feira as marcas Stephanie Classic, Sapatoterapia, Werner, Freeway, Malu super confrot/Território Nacional/ Biondini, Ferrucci, Bibi, Lótus/Sagga, Divietto, Cecconello, Francajel e Masiero.
