Diretor do Movimento Brasil Competitivo cita falta de mão de obra especializada e problemas de infraestrutura como obstáculos.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
O Brasil ocupa o 53º lugar no ranking geral do Relatório Global de Competitividade 2011-2012. Mas a burocracia, a falta de mão de obra especializada e problemas de infraestrutura impedem o país de estar num ponto mais alto.
É o que avalia Erik Camarano, o diretor-presidente do Movimento Brasil Competitivo – MBC, entidade que ajudou a fazer o ranking do Fórum Econômico Mundial no Brasil. Ele afirma que o resultado deste ano, no qual o Brasil subiu cinco posições, foi muito positivo. Lembrou, no entanto, em entrevista à Agência Brasil, que o governo ainda precisa investir muito em infraestrutura e diminuir a corrupção e a burocracia para se tornar mais competitivo e atrair um volume maior de investimentos.
“Pioramos a avaliação na infraestrutura do ano passado para cá. Os únicos indicadores de infraestrutura que melhoraram foram de telefonia fixa e celular. Os outros todos, especialmente de transportes, mostraram uma piora no ranking. Isso reforça um tema que a gente tinha levantado no ano passado que é a importância do investimento em infraestrutura para garantir que ela não seja um gargalo para a competitividade brasileira”, relata Camarano.
Segundo ele, apesar dos investimentos em infraestrutura em função do Programa de Aceleração do Crescimento – Pac, do pré-sal e de eventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo, o ritmo desse processo ainda é lento. Ele também destacou dois complicadores: o valor do frete, o dobro do valor dos Estados Unidos, e a alta concentração do modal rodoviário.
“A matriz de transporte brasileira tem quase 60% em rodovias. Isso tem custo ambiental, de asfaltamento e de conservação altos, e a mudança desse modal só vai ocorrer quando conseguirmos investir nos outros segmentos e investir em intermodalidade, ou seja, investir em polos que possam fazer essa integração de cargas”, declarou.
“Estamos na direção correta”
Entre os itens mais bem avaliados da economia brasileira no ranking estão o tamanho do mercado consumidor (oitavo no específico), segurança dos bancos (16º) e disponibilidade de serviços financeiros (25º).
“Em vários pilares está tendo avanço. Não há nenhuma questão com relação à condução da economia brasileira: estamos na direção correta, ou seja, tem a garantia da estabilidade de preços e da inclusão social”, destaca Camarano.
Além dos problemas em infraestrutura, também ressaltou como aspectos negativos a burocracia para abertura e fechamento de empresas no país e para a concessão alvarás de funcionamento e o aparecimento, pela primeira vez no ranking, da questão da falta de profissionais nas áreas de engenharia e de ciências aplicadas.
“Hoje, no Brasil, estamos formando cerca de 5% ou 6% do universo de estudantes que saem dessas áreas, enquanto que a China tem 25% de estudantes saindo de engenharia”.
Ranking aponta melhora
nos mercados emergentes
Os resultados do relatório mostraram ainda que a competitividade nas economias desenvolvidas se manteve estagnada nos últimos sete anos e melhorou em muitos mercados emergentes.
Entre o Brics (grupo formado por Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul), a China continua na liderança, subindo um posto e ocupando a 26ª posição. “A China tem consistentemente, ano após ano, melhorado a posição no ranking e a nota de competitividade”, disse Camarano, lembrando que isso se deve, principalmente, à política de investimentos agressiva adota e porque tem investido muito em formação científica e em inovação. Em seguida aparecem a África do Sul (50ª), o Brasil (53ª), a Índia (56ª) e Rússia (66ª).
A primeira posição do ranking geral continua ocupada pela Suíça, seguida por Cingapura, Suécia, Finlândia, Estados Unidos, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Japão e Reino Unido.
Informações de Agência Brasil
FOTO: ilustrativa / silviasaron
