
As três patas a mais estão localizadas no dorso do animal, o qual o dono não pretende sacrificar
Um bezerro mestiço das raças Girolando e Holandês nasceu com sete patas numa fazenda na cidade de Rondonópolis, distante 219 quilômetros de Cuiabá (MT). As três patas a mais com anomalia estão localizadas no dorso do bezerro. O animal, segundo uma das proprietárias da fazenda, Jacinta Bento, é um bicho normal como qualquer outro.
“Ele tem as patas penduradas quase no pescoço. Não iremos sacrificar o animal. Enquanto ele estiver bem vamos deixá-lo vivo. Falamos com o veterinário que informou que irá estudar se pode ou não fazer a cirurgia nele. Caso haja custo não sabemos se vamos fazer, pois não deve custar barato e vamos preferir deixar como está. O pessoal da UFMT olhou, mas ainda não tivemos nenhum retorno”, conta Jacinta Bento.
O professor de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) do campus de Rondonópolis, Nelson Vital Monteiro de Arruda, falou que o bezerro possui desenvolvimento anormal dos membros (polimelia), ou seja, aumento no número de membros.
“É o terceiro caso registrado de má-formação congênita de animais num período de seis anos na cidade. Os outros dois são de bezerros que nasceram com duas faces e agora esse com sete patas. O bezerro possui uma anomalia, mas não é considerado monstro pelo nível de alteração genética. A monstruosidade é uma manifestação de má formação congênita muito acentuada, além de alterar função é incompatível com a vida, e causa muito mais espanto”, conta o professor da UFMT.
Ele ressaltou que é necessário desvincular qualquer misticismo com as sete patas do bezerro, pois o que ocorreu foi uma alteração genética.
“Não tem nada de alterações da lua, espiritismo, misticismo ou mitologias gregas, o que houve é uma alteração genética que ocorre na natureza. Deve-se analisar se pode ser feita cirurgia para a retirada das patas e se não existe nenhum risco para o animal”, conta Arruda.
Ao ser questionado o porquê do nascimento de um bezerro com sete patas, o professor de Medicina Veterinária falou que a causa pode ser multifatorial. “Teríamos que fazer uma série de exames para descobrir a causa. É necessário analisar o histórico genético dos pais do bezerro, fazer um histórico do capim, do solo, da alimentação, exames de sangue, uma biopsia do tecido retirado das patas, se houve aumento no consumo da vitamina A ou Dioxina. Além de fazer um inquérito epidemiológico, pois muitas doenças podem interferir na formação do feto do animal. Devemos observar se houve presença de contaminação ambiental, como mercúrio, agrotóxicos, defensivos agrícolas e metal pesados”, conta o professor.
O médico veterinário da fazenda, Aureo Candido Costa Junior falou que é a primeira vez que ocorre um caso como esse na fazenda e ainda não foi tomada nenhuma medida a respeito do animal. “Estamos analisando se é viável o animal passar pelo sofrimento de uma cirurgia. Ele pode não sobreviver num período de dois a três meses, por isso aguardaremos o desenvolvimento do bezerro para poder intervir”, disse Aureo Candido Costa Junior.
Fonte: Terra
