Em torno de uma centena de empresários e lideranças prestigiaram o lançamento do novo empreendimento em Novo Hamburgo
A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, em parceria com as prefeituras dos municípios que abrange, Centro Universitário Feevale e Sebrae, fez o lançamento do Projeto de Implantação da Associação de Garantia de Crédito – AGC , na manhã de sexta-feira, dia 7.
O objetivo da AGC é alavancar o crescimento das empresas e, com isto, a geração de emprego, renda e desenvolvimento local. “Depois de dois anos de trabalho estamos lançando este projeto, onde um dos diferencias está na questão da gestão. As empresas precisarão se comprometer a investir na gestão, na capacitação de seu negócio”, frisou a presidente da ACI, Fatima Daudt, ao público presente formado por cerca de 100 pessoas entre empresários e autoridades.
As Associações de Garantia de Crédito (AGCs) ou Sociedades Garantidoras de Crédito (SGCs), como são chamadas no resto do mundo, são organizações de micro, pequenas e médias empresas e demais sócios privados e públicos, criadas para facilitar o acesso das empresas associadas ao crédito bancário, por meio do complemento das garantias exigidas pelos bancos e de assessoria técnica financeira.
Durante o lançamento na ACI, que foi uma oportunidade para os empresários tomarem conhecimento do projeto, o gerente da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Nacional, Alexandre Guerra de Araújo, explanou sobre o Sistema Nacional de Garantia de Crédito e a Chamada Pública.
No entender de Araújo, quanto mais azeitado o mecanismo, mais fácil ficará a tramitação do processo, junto ao agente financeiro. Outro fator importante, na visão dele, é a questão da inadimplência, que precisa ser em um nível que traga confiança para as instituições financeiras. Todos ganham. Não tem como perder num mecanismo como este. As instituições vão ter vantagens na parte documental, os sócios também ganham por gerar o desenvolvimento, e principalmente os pequenos empresários e as lideranças, pensa.
O palestrante disse ainda considerar uma parceria bastante proveitosa para todos a iniciativa. “Estamos propondo e oficializando uma chamada pública, dividida em etapas”, adianta. Ele lembra que a nova sociedade tem um tempo de maturação e que o mais importante apoio financeiro se dá na formação do chamado fundo de risco local – que é o coração da associação. Vai ser um fundo depositado que garantirá os avais que são concedidos, frisou ele, citando exemplos que já ocorrem no Brasil, como no Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia.
Eduardo Luzardo, diretor do Sebrae RS, falou sobre as dificuldades de acesso ao crédito das MPES e as AGCs no RS. Para ele, o Sistema financeiro e o governo vão ter que focar com prioridade na micro e pequena empresa. E isto já está acontecendo, no sentido de apoiar e dar todas as condições para que as micros e pequenas se tornem o grande motor da economia no Brasil.
Luzardo salientou que a AGC fortalece e propicia esta condição de desenvolvimento. O Sebrae não só dá a estruturação e os recursos, como também contribui com aquilo que é o mais importante: preparar as empresas, capacitá-las para que possam efetivamente atingir um outro nível de competitividade e, com isto, ter uma valorização real de atratividade para o sistema financeiro de uma maneira geral.
Para o diretor do Sebrae, este é o caminho para reduzir riscos, taxas e aumentar prazos. Isto é um ciclo virtuoso, pois à medida em que se conhece mais, se dá competitividade, se reduz risco, melhora o acesso ao recurso financeiro e se melhora a gestão. Entre as empresas que demandam empréstimo, mais da metade deseja até R$ 20 mil reais. Mas o problema é a falta de garantias reais. Segundo Luzardo, esta é a maior barreira à concessão de empréstimos bancários para as micros e pequenas empresas.
“Uma empresa que se capacitou durante dois, três anos, que hoje está acessando até o mercado internacional, está com certificações, e corre um sério risco de ser tratada como uma empresa que não se capacitou. E o Sebrae está trabalhando para que ela tenha um tratamento diferenciado. A intenção é ter um trabalho muito próximo, tendo a AGC como um instrumento para os projetos coletivos do Sebrae. Não existe gestão sem crédito e não existe crédito sem gestão. A região está de parabéns.
Existe uma forte vontade do Sebrae em apoiar e cada vez mais em integrar o Sebrae e as AGCs para que as micro e pequenas empresas tenham de uma vez por todas o acesso a um tratamento mais ágil, rápido e menos burocrático para que ela se desenvolva, afirmou Luzardo.
Júlia Ambros, consultora da ACI, responsável técnica pelo projeto de implantação da AGC no Vale do Sinos apresentou o desenvolvimento da iniciativa. “Sabemos que para as empresas crescerem, é preciso investir. E para investir é preciso crédito. E a AGC facilita o acesso das empresas ao crédito, através do complemento das garantias exigidas. Quando se oferece garantia, é interessante ressaltar que é uma garantia líquida, o que é muito diferente para um banco de se buscar uma garantia real. Isto reduz custos e conseqüentemente a taxa de juros”, antecipou ela.
Segundo a consultora, as empresas se associam à AGC, que tem um caráter privado – adquirem cotas de capital, que formam o fundo de risco, e quando elas precisam de recursos, agilizam a Associação. Além disso, as garantias emitidas pela AGC são lastreadas pelo fundo de risco e também por um fundo contra-garantidor, o que dobra o grau de alavancagem das operações.
Ainda para a consultora, as empresas se associam e compõem uma espécie de aval solidário, tendo um caráter voluntário, com uma origem associativa e local. “A AGC tem gestão própria e autônoma. Entre as vantagens está a redução de custos, maior acesso aos bancos, facilitação da relação com os bancos, e auxílio na gestão financeira”, cita Júlia Ambros.
As empresas, além da garantia prestada, apresentam seus projetos de investimento e a AGC faz a análise de crédito, e se for constatado que a empresa não tem condições, os motivos serão expostos e a empresa então vai procurar aumentar a questão da gestão financeira para chegar ao crédito. “A ACG pode estar conveniada com o Sebrae, que poderá capacitar estas empresas, revendo seus projetos, seus números, e então se tornar preparada para tomar crédito”, complementa. Além disso, fornece informações do mercado bancário para as empresas e das empresas para o sistema financeiro.
O Comitê Gestor do projeto é formado pela ACI-NH/CB/EV, Prefeituras de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, Sebrae/RS e Feevale, além da equipe técnica com integrantes da ACI. “Estamos agora na elaboração do diagnóstico. Vamos fazer uma identificação do tecido econômico do Vale do Sinos, o que nos proporcionará um número de empresas potenciais para a AGC. E isto vai dar uma idéia do volume do fundo de risco necessário para alavancar este trabalho que vem sendo desenvolvido desde o final de 2006”, conclui a consultora.
Para o vice-presidente de Economia, Estatística e Finanças da ACI, João Bruxel, todo o esforço será feito para que a AGC já se torne uma realidade no segundo semestre de 2009.
Entre as autoridades presentes estiveram o prefeito de Novo Hamburgo, Jair Foscarini, o prefeito de Estância Velha, Elivir Desiam, a contadora Ilone Maria Zimmermann, representando o prefeito de Campo Bom Giovani Feltes, o secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Novo Hamburgo Diego Martinez, a presidente da Caixa RS Susana Kakuta, o reitor do Centro Universitário Feevale Ramon Fernando da Cunha, e o secretário de Administração de Estância Velha, Pedro Engelmann. Entre as instituições financeiras estavam os representantes do Banco do Brasil, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Sicredi e Finansinos. O Governo do Estado foi representado por Jorge Luiz Costa Melo, presidente da Junta Comercial do Rio Grande do Sul (JUCERGS).
