Assembléia Legislativa vai investigar as causas da morte do ex-presidente João Gourlart
A Comissão de Cidadania e Direitos Humanos aprovou requerimento do deputado Adroaldo Loureiro (PDT), solicitando uma subcomissão para investigar as circunstâncias da morte do ex-presidente da República, João Goulart, em 1976, na Argentina, onde estava exilado. A proposta foi acolhida por unanimidade, em reunião desta quarta-feira.
A Subcomissão que comandará os trabalhos de investigação será composta pelo relator Adroaldo Loureiro e pelos deputados Dionilso Marcon (PT), Paulo Brum (PSDB) e Marco Peixoto (PP). A partir de hoje, o grupo terá 120 dias para realizar suas atividades e apresentar o relatório final.
Segundo Loureiro, o objetivo do grupo é buscar informações e esclarecer dúvidas que permanecem desde o falecimento do ex-presidente. “Há suspeitas de que João Goulart não morreu em decorrência de problemas cardíacos, mas teria sido envenenado”. . O tema voltou à tona com declarações à imprensa do ex-agente do serviço secreto uruguaio, Mario Neira Barreiro, que garantiu ter participado da operação para eliminar o ex-presidente.
Entenda o caso
A suspeita da família Goulart , de que o ex-presidente não morreu em decorrência de problemas cardíacos, mas teria sido assassinado, voltou às manchetes da imprensa nas últimas semanas, a partir de declarações de um ex-agente do serviço secreto do Uruguai. Preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) por envolvimento em tráfico de armas e assaltos à carro forte, o uruguaio Mario Neira Barreiro garante ter participado da operação para eliminar o ex-presidente brasileiro, versão sempre defendida pelo ex-governador Leonel Brizola, que acreditava firmemente na possibilidade de Jango ter sido assassinado.
O método utilizado, segundo depoimento do ex-agente, foi trocar os medicamentos que João Goulart tomava por conta de problemas no coração. A ordem teria partido, conforme Barreiro, do serviço de repressão do governo militar do Brasil; e contou com apoio do governo uruguaio, na época também comandado por militares.
