Jogador afirma não querer confusão com ninguém, mas que “racismo é crime”. Súmula do árbitro da partida denuncia torcida.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
Segundo a súmula do jogo entre Novo Hamburgo e Caxias, no último sábado, 24, escrita pelo árbitro Jean Pierre de Lima, o jogo foi marcado por confusões, racismo e agressão a um Policial Militar. Segundo ele, a torcida do Nóia repetia “ostensivamente e insistentemente” o xingamento de “macaco” quando Vanderlei, do Caxias, tocava na bola.
Vanderlei (foto), em entrevista ao site Globoesporte.com, lamenta o episódio, mas não quer criar polêmica. “Ah, cara. O que eu posso dizer? É lamentável uma torcida ter essa postura dentro de um estádio. Fiquei muito chateado quando percebi que os gritos eram para mim”, disse. O jogador também foi mordido por um cachorro da BM.
“A gente sabe que, às vezes, as pessoas misturam as coisas. Mas isso não pode acontecer. Racismo é crime. Por mais que a gente nunca possa deixar um assunto desses passar em branco, eu não quero confusão com ninguém. Por enquanto, prefiro ficar na minha, tranquilo. Quero fazer o que eu sei de melhor, que é jogar futebol e fazer gols. Só espero que isso não se repita.”
A descrição de Jean Pierre sobre a partida foi recebida com espanto pelo Novo Hamburgo. O diretor executivo do clube, Maurício Andrade, classificou a manifestação do árbitro como “uma grande inverdade”. “Em um estádio com seis mil pessoal, ele conseguiu ouvir um coro vindo de uma torcida que continha 350 pessoas”, comenta. “É uma grande inverdade tudo aqui que está escrito. Recebemos com muita surpresa. Nunca tivemos histórico de racismo e somos totalmente contra isso.”
AGRESSÃO – Na súmula, o árbitro também relatou que o jogador Lacerda, do Caxias, agrediu um policial militar durante a confusão, iniciada aos 33 minutos do primeiro tempo, depois que o gol de Paulinho Macaíba foi validado. O policial registrou boletim de ocorrência contra o atleta.
Informações de Globo Esporte
FOTO: divulgação / Geremias Orland

