Benefício é destinado a brasileiros de menor renda. Jérôme Valcke defende venda de bebidas alcoólicas e troca de arma por ingresso.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
De acordo com o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol – Fifa, Jérôme Valcke (foto), a entidade “não gosta de meia-entrada”, mas afirmou que será criada uma “categoria 4”, reservada para brasileiros, nos ingressos para a Copa do Mundo de 2014.
A nova categoria, negociada a partir de pedidos da presidente Dilma Rousseff (PT), beneficiará grupos que teriam direito a meia-entrada, como idosos e estudantes. O desconto valeria para os jogos da primeira fase do campeonato, a partir da segunda partida, quando as entradas devem custar 25 dólares (cerca de R$ 43 cada), “não importando qual jogo seria”, segundo Valcke. Para a abertura e a final, serão estabelecidos “preços especiais”. A declaração foi feita nesta terça-feira, dia 08, na Câmara dos Deputados, em Brasília.
A proposta busca garantir que pessoas com capacidade de adquirir os ingressos mais caros não façam uso do benefício, destinado a pessoas de menor renda. “Ao invés de existirem diferentes grupos de meia-entrada, eu propus que implantemos uma categoria 4, que será diferente”, explicou o secretário-geral. “Nessa categoria, trabalharemos com o governo brasileiro e com a comissão para assegurar um acesso privilegiado aos estudantes.”
Na ocasião, Valcke reclamou do trânsito de São Paulo, que disse ser um “pesadelo”. Chamado de arrogante por um dos parlamentares, o secretário atribuiu sua atitude à responsabilidade que tem em relação à organização do evento.
“Estamos atrasados, não podemos perder nenhum dia. Os estádios serão construídos, mas… Se deslocar em São Paulo é um pesadelo. Sair do aeroporto às 08 horas da manhã leva meio dia. A Copa das Confederações será um grande teste para nós e, por isso, devemos trabalhar desde agora. Ou faremos juntos ou não faremos mais.”
LEI GERAL – O presidente da Confederação Brasileira de Futebol – CBF e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo – COL, Ricardo Teixeira, também pediu pressa na aprovação da Lei Geral da Copa, em discussão na comissão e que define regras para a venda de meia-entrada, de bebidas alcoólicas e outros aspectos para a duração do Mundial.
“Vivemos em uma democracia, a discussão é saudável, mas o tempo não está mais ao nosso lado nesse caso”, avaliou Teixeira. “Os compromissos assumidos não fazem parte de uma discussão ideológica ou de soberania, mas sim uma questão de flexibilidade diante de um evento verdadeiramente global e único.”
Secretário-geral defende venda
de bebidas alcoólicas em jogos
A venda de bebidas alcoólicas durante os jogos, proibida por uma regra da CBF e por algumas leis estaduais e municipais, foi defendida pelo secretário-geral. Ele alega que nos últimos mundiais, a comercialização foi controlada nos estádios e não causou nenhum episódio de violência.
Ele lembrou também que a mesma discussão está sendo feita nas próximas sedes de Mundial – a Rússia possui uma legislação que combate bebidas alcoólicas e o Catar, país muçulmano, tem uma cultura religiosa contrária ao consumo de álcool.
“A Fifa não está aqui para embebedar as pessoas, e vocês terão dificuldade de me provar que durante a Copa do Mundo o álcool causou algum tipo de detrimento ao país ou à Copa”, declarou Valcke. “É verdade que limitar o álcool reduz muito as violências, mas na África do Sul e na Alemanha a venda de cervejas não provocou nenhum tipo de problema ou guerra em nenhum estádio.”
Troca de arma por ingresso
Jérôme Valcke afirmou apoiar o projeto de trocar armas de fogo por ingressos para jogos do Mundial, mas crê que a grande quantidade de armamentos existente no país é um limite para essa iniciativa.
“Não vou me comprometer a dizer que toda arma será entregue, porque eu acho que tem tanta arma no Brasil que a gente não vai ter a quantidade de ingressos para responder, infelizmente”, declarou o dirigente.
A proposta de incluir a troca de armas de fogo por ingressos para a Copa é do deputado Vicente Cândido (PT), que sugeriu que a Fifa se envolva mais com as questões sociais do Brasil durante a preparação para o evento.
Valke declarou que a Fifa irá incluir essa iniciativa de desarmamento em um conjunto de campanhas sociais do evento. “A Copa do Mundo tem 32 dias, e nós podemos pensar em organizar atividades especiais durante o Mundial, em particular quando nós temos dias de pausa”.
Informações de JB e GloboEsporte.com
FOTO: reprodução / GettyImages
