Há opções para todas as intensidades de desconfortos causados pela tensão pré-menstrual, inclusive para a “super-TPM”.
Da Redação redacao@novohamburgo.org (Siga no Twitter)
Irritação e ansiedade. Dores nas mamas e na cabeça. Inchaço, compulsão por doces, choro sem motivo. Conhece a sensação?
Todos os meses grande parte das brasileiras convive com algum – ou vários – dos 150 sintomas relacionados à tensão pré-menstrual, a famigerada TPM. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva da cidade, que envolveu 860 brasileiras com idade entre 18 e 35 anos, revela que aproximadamente 80% das mulheres sofrem ou já sofreram com a TPM.
A pesquisa mostrou, também, que 58,2% das entrevistadas com sintomas físicos e emocionais nunca haviam se queixado no consultório. O motivo? Vergonha.
Embora se manifeste em qualquer faixa etária, a pior fase da TPM tende a ocorrer entre os 35 e os 45 anos, quando os sintomas físicos e psicológicos se intensificam. As mais sortudas enfrentam esses dias sem tanto abalo, com o auxílio de analgésicos, anti-inflamatórios ou a ingestão diária de cápsulas de ácidos graxos, uma substância que reduz pela metade os desconfortos da TPM leve. Porém, para 35% da população feminina acometida por sintomas moderados ou severos, a menstruação provoca enorme desconforto.
Pílula de uso contínuo
Em entrevista à revista Época, a piauiense Ranielle Leal Moura, de 26 anos, conta que era parte desse grupo. “Penava com cólicas e uma tristeza sem explicação desde os 14, quando menstruei pela primeira vez”, diz ela. “Ficava agressiva, ansiosa e irritada com todos ao redor.” No fim de cada ciclo, a vida voltava ao normal, e a professora universitária conta que se sentia como os personagens do livro “O Médico e o Monstro”.
O pesadelo acabou há dois anos, quando seu ginecologista recomendou uma pílula anticoncepcional de uso contínuo. “Agora, só menstruo a cada seis meses, e tudo flui bem. Acabaram os sintomas e o rendimento no trabalho aumentou”, diz ela. “Até o relacionamento com meu namorado melhorou.”
O uso de anticoncepcionais é umas das novidades que a medicina oferece no tratamento da TPM. “A cada nova geração os medicamentos se aperfeiçoam”, afirma a ginecologista Mara Diegoli, coordenadora do Centro de Apoio à Mulher com Tensão Pré-Menstrual, do Hospital das Clínicas de São Paulo. “Hoje, os ginecologistas têm opções para oferecer um bom tratamento, com o mínimo de efeitos colaterais.”
OPÇÕES – Para jovens com menos de 30 anos e não fumantes, os médicos estão recomendando anticoncepcionais orais de uso contínuo, com estrogênios e progestogênios. Já o implante de etonogestrel no antebraço costuma ser a primeira opção indicada para mulheres na faixa dos 35 anos que precisam de anticoncepcionais e têm TPM intensa.
“Esse método interfere pouco com a libido”, afirma Mara. “Em pesquisas no Centro de Apoio, ele foi usado em 100 mulheres e somente 14% pediram para retirá-lo depois de um ano.”
“Super-TPM”
Nem sempre os anticoncepcionais são a solução. Há casos em que as mulheres padecem de uma “super-TPM” – uma doença grave chamada de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). Ela atinge de 3% a 9% da população feminina e é caracterizada por alterações incapacitantes no humor e no comportamento. Portadoras do transtorno mergulham num poço de ansiedade, angústia e tristeza dias antes de menstruar.
“Muitas mulheres chegam a agredir fisicamente maridos e filhos nesse período. O quadro pode ser confundido com bipolaridade”, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., coordenador do Projeto Pró-Mulher, desenvolvido pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP.
Um dos obstáculos ao diagnóstico da super-TPM é a discriminação. A doença ainda é banalizada, classificada como frescura feminina e histeria. “Quando tratadas, o sentimento de alívio das pacientes é imenso. A maioria diz que não se lembrava de como era viver em paz”, diz Rennó.
O tratamento costuma ser feito com medicações antidepressivas e ansiolíticas – e também com terapia, por um período médio de dois anos. Estudos recentes mostram que o uso de antidepressivos à base das substâncias fluoxetina e sertralina tem sido eficaz tanto no tratamento dos sintomas físicos quanto dos psicológicos, como irritação, depressão e agressividade.
A ginecologista Mara é enfática ao afirmar que a TPM é multifatorial e não existe um tratamento único que sirva para todas as mulheres e todos os tipos de sintoma. Em quadros leves, exercícios físicos, acupuntura e controle da alimentação podem resolver. “Para os outros, temos opção de medicamentos seguros”, diz ela.
Informações de Época
FOTO: ilustrativa
