Audiência pública na Câmara de Vereadores debateu saídas para problemas mentais e de dependência química.
Saúde mental e qualidade de vida. Esse foi o tema de audiência pública na última quarta-feira, dia 20, em Novo Hamburgo. A iniciativa surgiu a partir de ação conjunta da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, que sediou o debate, e da Secretaria de Saúde. A Semana Nacional de Luta Antimanicomial ocorre de 18 a 23 de maio e prevê atividades desse tipo em todo o país.
Entre os principais temas debatidos esteve a atuação dos Centros de Atenção Psicossocial – CAP’s. Presidente da Comissão de Saúde, o vereador e médico Raul Cassel (PMDB) comandou os trabalhos. Ele defende Novo Hamburgo como referência em saúde mental no Estado. Discutir o assunto, conforme Cassel, é fundamental no momento em que a saúde do cidadão ganha uma nova abordagem. “Hoje o conceito abrange, além de ausência de doença, a prevenção orgânica e a saúde mental e emocional, não só caracterizada pela ausência de transtorno, mas pela garantia da qualidade de vida.”
A abertura teve apresentação do grupo Paranóia Produções e exibição do documentário “Um outro olhar”, sobre os CAPS’s, produzido pelo Ministério da Saúde. Segundo informações veiculadas pelo vídeo, atualmente mais de mil CAPS’s estão em funcionamento no Brasil. O Ministério estima que haja aproximadamente um para cada mil habitantes, o que garante atendimento personalizado ao paciente. Os centros constituem-se como um dos serviços substitutivos propostos pela Reforma Psiquiátrica Brasileira e pelo movimento de luta antimanicomial.
Debates
Além de Raul Cassel, compuseram a mesa Maria de Lourdes Flores, da Associação de Usuários e Amigos da Saúde Mental Novo Tempo; Laura Laguna, do Conselho Municipal de Saúde; Sandra Fagundes, representante dos trabalhadores em Saúde Mental; Fábio Moraes, coordenador do Departamento de Saúde Mental; e Florizeu Campos, representante da Secretaria Municipal de Saúde. A Comissão de Saúde também é formada pelos vereadores Matias Martins (PT) e Volnei Campagnoni (PCdoB).
Maria de Lourdes Flores relatou sua experiência como dependente química e ressaltou a importância de o usuário atingir uma boa qualidade de vida. Ela explica como atua a Associação Novo Tempo. “Lutamos para que a pessoa passe de dependente à produtiva”, destaca. Já a assistente social Laura Laguna falou sobre a dinâmica de funcionamento do Conselho de Saúde. Disse que o grupo do qual faz parte sugeriu ao Hospital Municipal fazer um apontamento mais efetivo dos pacientes com problemas de dependência de álcool e crack, visando uma estratégia de prevenção e combate.
A intervenção de Sandra Fagundes foi no sentido de destacar o trabalho dos profissionais da saúde. “Temos o desafio de construir o acesso universal e para todos, tirando do papel e implementando na prática esse conceito”, falou, ao relatar que hoje já é oferecido aos pacientes internação domiciliar, atendimento nos CAPSs e no Hospital Municipal. “É possível superar o hospital psiquiátrico, desde que tenha está rede estabelecida e forte.”
Por fim Florizeu Campos elogiou a mobilização da comunidade que lotou o plenário. Afirmou que este é um momento especial, lembrando a luta histórica do departamento de saúde mental do município. Reafirmou ainda o compromisso da gestão que recém assumiu a Prefeitura na área da saúde.
Presenças

Autoridades ligadas à área da saúde e lideranças comunitárias lotaram o plenário. Entre elas, Nilce Maria De Zogni, coordenadora da UBS São Jorge; Marinês Mombach, da UBS Kraemer; Paola Lazzarotto, do CAP’s Santo Afonso; Anna Maria Zimmer Silveira, da Associação dos Moradores do Bairro Canudos; Maria Regina Studt, do serviço social do Ipasem; Aline S. Berger, psicóloga da Smed; João Pedro, psicólogo da Prefeitura de Esteio; Pedro Kunst, diretor da Fazenda Bom Jesus; Plácido Crescente, do Grupo Pensando NH.
O hall de entrada da Câmara Municipal transformou-se em espaço para exposição dos trabalhos de artesanato produzidos pelos usuários da Oficina de Geração de Renda, vinculada ao Departamento de Saúde Mental. O trabalho se destina à reabilitação psicossocial dos portadores de sofrimento mental ou necessidades especiais. Um espaço de passagem onde os candidatos à reabilitação aprendem noções de cooperação, organização, comprometimento e responsabilidade para inserção no mercado de trabalho. A renda é partilhada entre os usuários.
Informações da Imprensa da Câmara Municipal de Novo Hamburgo.
