Confira entrevista com o Médico Valter Duro Garcia, Presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e coordenador de transplantes da Santa Casa
De 25 a 29 de maio, a Direção do Foro da capital, em parceria com a OAB/RS, a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e o Hemocentro estão promovendo campanha para doação de órgãos. Ao longo da próxima semana, das 8h30min às 18h30min, no saguão do prédio do Foro Central (Rua Márcio veras Vidor, nº 10, em Porto Alegre), equipe estará cadastrando e entregando gratuitamente certidão aos doadores.
Abaixo, entrevista com o Médico Valter Duro Garcia, que esclarece as dúvidas mais comuns sobre transplantes:
1. O que deve fazer quem deseja ser doador?
O mais importante é falar com a família sobre o desejo de ser doador, porque ela sempre vai ser consultada, independente de constar em qualquer documento, como a carteira de identidade.
2. Muitos familiares resistem à doação por receio de que o corpo seja entregue à família desfigurado. Isso realmente acontece?
Não, é feita uma cirurgia normal, em bloco cirúrgico com todo o cuidado, não é possível perceber nenhuma diferença no corpo. Mesmo no caso da doação de pele, é retirada apenas uma camada da epiderme da parte posterior da coxa, braços, antebraços e das costas e, após, o local é coberto com uma bandagem, não é perceptível.
3. Quem não pode ser doador?
Isso é importante ressaltar. Apenas doenças transmissíveis como HIV ou câncer, que podem passar para o receptor, contra indicam a doação. Atualmente a idade não é mais impedimento, pois se o coração já não pode ser doado, os rins ou pulmões provavelmente podem, assim como doenças que atacam determinados órgãos não evitam a doação dos demais. Cada vez menos casos impedem a pessoa de ser doadora.
4. Quais órgãos podem ser doados em vida? Como funcionam essas doações?
Pode ser doado um dos rins e, raramente, uma parte do fígado para uma criança. Em casos menos freqüentes o pai e a mãe doam cada um, uma parte do pulmão para a criança. No caso da doação de órgãos em vida, ela é realizada somente entre parentes, principalmente para coibir o comércio. Há também a possibilidade da doação de células, especialmente a medula óssea, a pacientes com leucemia ou linfoma. É geralmente feita entre irmãos, porque exige muita compatibilidade. Além disso, o doador vivo pode ser doador de pele, no caso dos pacientes que realizam cirurgia estética abdominal.
5. E a doação de medula óssea? O que fazer para se tornar um doador?
É nisso que consiste a campanha que vamos fazer no Foro Central. Pessoas entre 18 e 55 anos podem se cadastrar para serem possíveis doadores de medula. A pessoa vai fornecer dados como nome, endereço, número de contato e retirar uma amostra de sangue de 5 a 10ml. Essa amostra, que vai fornecer o tipo imunológico do doador, é enviada para o Instituto Nacional do Câncer, do Rio de Janeiro, que atualmente mantém os dados de cerca de 1 milhão de pessoas.
6. Como é realizado o procedimento de coleta?
Existem duas formas. Pela aspiração do sangue no osso da bacia, onde estão localizadas as células mais antigas (células-tronco) ou como se fosse uma transfusão, com retirada pelo antebraço. Depende do tipo de transplante que vai ser realizado. Nas duas maneiras, não há qualquer risco para o doador, podendo ser feita inclusive por menor de idade (na doação entre familiares) e por gestantes.
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