Tarcísio Zimmermann reafirma que não concederá aumento sem implantação do novo sistema em audiência pública que debateu o transporte coletivo.
Felipe de Oliveira – felipe@novohamburgo.org
Novo Hamburgo tem uma das tarifas de ônibus mais altas do Estado e a qualidade é constantemente questionada pelos usuários. Pois a equação “preço x qualidade” foi tema de audiência pública promovida pela Prefeitura na última terça-feira, dia 19. O debate reuniu membros da Secretaria de Segurança Pública e Mobilidade Urbana, representantes da empresas responsáveis pelo serviço e vereadores no plenário da Câmara Municipal.
A primeira fala foi do prefeito Tarcísio Zimmermann (PT), reafirmando a posição que anunciou publicamente na semana passada. “Espero que esse momento represente um compromisso sem retorno de implantação da passagem integrada em Novo Hamburgo.” Em abril, as empresas voltaram a reivindicar reajuste da passagem. Hoje ela custa R$ 2,00 e o valor almejado seria de R$ 2,64. Em entrevista à TV Câmara, Zimmermann garantiu que o aumento só será concedido caso a tarifa integrada seja implementada.
Novo Hamburgo comparada a outras cidades
O secretário Luiz Fernando Farias, titular da Segurança Pública e Mobilidade Urbana, comandou os trabalhos. Em sua intervenção, se ateve a estudo comparativo sobre o transporte coletivo de Novo Hamburgo e de outras cidades de mesmo porte e até maiores. “Não existe qualquer intenção de direcionar posicionamentos ao aumento de passagens ou à manutenção do custo atual”, disse Farias. “Existe sim a intenção de apresentar dados comparativos que nos possibilitem chegar a bom termo.”
Entre os dados apresentados esteve o número de passageiros por quilômetro, índice determinante na composição do valor da tarifa. Quanto maior, maior é o retorno financeiro para as empresas prestadoras do serviço. Novo Hamburgo perde apenas para Porto Alegre, onde há poucos meses o valor da passagem era o mesmo. Por outro lado, em relação à cidades que tem preço na mesma faixa ou menor, o índice do transporte hamburguense é maior. Farias citou Canoas, Caxias do Sul, Pelotas e São Leopoldo.
Empresas reclamam de benefícios

O advogado representante das empresas que detém a concessão para exploração do serviço utilizou a tribuna para justificar a solicitação de aumento protocolada em outubro do ano passado. A reivindicação foi reiterada em janeiro de 2009 e pela última vez em abril. Jorge Amaral trabalha há de 27 anos para o grupo formado por Hamburguesa, Courocap e Futura.
Amaral explica que a quantidade de não pagantes acaba onerando os usuários do transporte coletivo. No mês passado, por exemplo, o número de passageiros foi superior a 1,3 milhão. A metade, no entanto, era beneficiária da meia-passagem. Ainda conforme o advogado, os não pagantes representam 43,1% do total. “Enquanto o bolo de pagantes diminui, aumenta o bolo de não-pagantes e beneficiários”, reclama.
Outro elemento central da argumentação das empresas é o aumento no preço dos principais insumos, como afirma Amaral. “Os preços registraram crescimento nos últimos seis anos.” O óleo diesel foi utilizado é um deles. Em três anos, teria dobrado de preço e compõe, segundo Amaral, 25% do preço da passagem. O último reajuste da passagem de ônibus hamburguense foi concedido pelo então prefeito Jair Foscarini (PMDB) em agosto de 2007.
Manifestações
Além do secretário e do representante das concessionárias, falaram os vereadores petistas Alex Rönnau, Matias Martins e Gilberto Köch; Jesus Martins (PTB); Ricardo Ritter (PDT); Sérgio Hanich e Raul Cassel, do PMDB. Também se manifestaram João Matias Pereira Gomes, da Associação de Moradores Leopoldo Petry, do bairro Canudos, e o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Lauri Finotti. A rigor, todos endossaram as reclamações quanto ao alto valor da tarifa e a baixa qualidade do serviço e defenderam a passagem integrada.
