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Pelo Mundo – Vitivinicultores brasileiros apostam na crise para aumentar presença no mercado europeu

EditorPor Editor31 de março de 20094 Mins Leitura
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vinho 0331

Empresas produtoras de vinho do Brasil participam da feira ProWein, em Düsseldorf, e acreditam oferecer as novidades que o mercado internacional procura.

Segundo o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as dez vinícolas brasileiras que participam este ano da ProWein, feira internacional das indústrias líderes na produção mundial de vinho, já vieram com importadores definidos, o que representa um fato inédito.

Em sua quinta participação na feira, que acontece na cidade alemã de Düsseldorf, o país procura consolidar e intensificar sua presença no mercado europeu. “Os vinicultores querem agora mostrar seus novos produtos e eventualmente ampliar o número de importadores”, explica Andreia Milan, gerente do projeto Wines from Brazil, do Ibravin.

Diferentemente das vinícolas chilenas, que se posicionam no mercado internacional há 30 anos, e das argentinas, que estão há mais de 10 anos na Europa, só em 2004 é que as brasileiras se adequaram a padrões internacionais de qualidade, necessários para vender seus produtos no exterior.

No ano passado, as vinícolas brasileiras obtiveram cerca de 150 mil dólares negociando marcas na ProWein. Neste ano, mesmo com a economia global em crise, não há pessimismo. Segundo dados do Ibravin, 15 marcas brasileiras estão disponíveis no mercado europeu. Somente a Alemanha já absorveu 7% das exportações brasileiras em 2008.

Para Milan, a crise global movimenta o mercado em busca de produtos novos. “O vinho brasileiro tem características próprias que o levam a ser considerado diferente no mercado internacional”, conta.

A importadora Ana Maria Rodrigues-Hoffmann acredita que venderá quatro vezes mais marcas brasileiras que no ano passado na Alemanha, na Suíça e na Áustria. “Pretendo vender 48 mil garrafas neste ano”, diz. Ela acredita que a mídia especializada adotou um foco mais positivo a respeito do Brasil, que é o quinto maior produtor do Hemisfério Sul.

Também Milan argumenta que os expositores em Düsseldorf procuram valorizar o fato de o vinho brasileiro ser leve e de teor alcoólico moderado. Outro diferencial brasileiro seria a produção manual, sem irrigação e de forma familiar.

Rodrigues-Hoffmann conta que os vinhos brasileiros mais comercializados no mercado europeu são o Cabernet Sauvignon e o Merlot. O preço da garrafa varia entre 6 e 15 euros. O produto é oferecido na Europa para grandes atacadistas, restaurantes, empresas de vendas online e adegas comerciais especiais.

Para ela, a indústria brasileira aposta na qualidade para melhorar sua posição no mercado europeu. Em contrapartida, garrafas chilenas e argentinas podem ser encontradas há muito tempo nos supermercados mais populares da Alemanha já a partir de 2 euros.

“Hoje as empresas desses países têm dificuldade em elevar o preço de seus produtos na Europa”, explica Rodrigues-Hoffmann. Segundo ela, não há motivo para os brasileiros correrem o risco de baixar o preço do produto. “Se os europeus querem a qualidade das empresas que represento, têm que pagar o preço”, exige a importadora, que negocia o vinho brasileiro nas grandes cidades alemãs.

O objetivo das vitivinícolas do país de ampliar a presença do vinho brasileiro na Europa pode até ser vista com ceticismo, diante da pouca tradição do Brasil na exportação do produto. Porém, estrangeiros já vêem na produção de vinho no Brasil uma oportunidade de lucrar no mercado europeu.

É o caso da portuguesa Dão Sul, que produz vinhos no Vale do São Francisco em parceria com exportadores brasileiros. “Conseguimos entrar com força no mercado britânico com nosso vinho produzido em Pernambuco”, afirma o enólogo Tiago Macena, que expõe no estande brasileiro na ProWein.

O desafio de produzir um vinho no Brasil acabou se tornando uma surpresa profissional positiva para Macena. “Enquanto em Portugal temos uma safra por ano, à beira do “Velho Chico” (rio São Francisco) as condições climáticas nos permitem produzir vinho quase todos os meses”, afirma o português.

Deutsche Welle

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