Ivan Carlos da Silva fala ao Portal novohamburgo.org sobre as principais causas da rebelião da semana passada. Salienta, ainda, medidas adotadas para garantir a segurança da comunidade.
Cristiane Cunda cris@novohamburgo.org
O que teria levado os detentos do Presídio de Novo Hamburgo a se rebelar na semana passada? Demonstrar poder. Quem revela é o diretor da instituição.
Em entrevista ao Portal novohamburgo.org, o delegado penitenciário Ivan Carlos da Silva faz uma avaliação das principais causas que levaram os presos a se rebelarem e explica as medidas que foram adotadas como reação pela casa prisional.
O incidente ocorreu no dia 19 de outubro e durou pouco mais de seis horas. Cerca de 100 presos do regime semiaberto se amotinaram reivindicando a liberação da Carta de Emprego, documento necessário para que possam trabalhar durante o dia.
Agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) e policiais do Pelotão de Operações Especiais da Brigada Militar atuaram no controle na situação. Duas celas ficaram parcialmente destruídas e cerca de 20 presos, que seriam os líderes da rebelião, foram transferidos para a Penitenciária Modulada de Montenegro. O arame farpado em torno do muro recentemente construído também foi arrancado pelos rebelados.
“Os apenados retiraram a concertina, uma espécie de arame farpado em espiral que foi colocado no pátio interno para evitar que eles pulassem o muro. Ao causar dano ao patrimônio público, houve a intervenção da direção, momento em que se rebelaram”, acrescenta Silva.
Para o diretor do Presídio, o problema foi gerado por conflito entre facções adversárias, que desejavam demonstrar poder. “Desta forma acabaram tentando controlar a rotina da prisão, o que é inconcebível, pois quem é a autoridade é o Estado e não os apenados”, diz. Sobre a reivindicação das Cartas de Empregos, Silva afirma que a alegação é infundada e que os apenados queriam chamar a atenção da imprensa com tal acusação.
Ivan Carlos Silva lembra que o risco de rebeliões existe em qualquer presídio, não sendo possível prometer que nunca mais ocorrerá, mas entende que tudo se acalmou pela forma como a situação foi conduzida. “Eles estão calmos e se comprometeram, perante a Direção do Presídio, de não ocorrer outros amotinamentos, pois perceberam que perderam a razão”, salienta.
Segurança reforçada
A segurança interna e externa do presídio foi reforçada, de acordo com o diretor da casa prisional. Ele ainda destaca, que os presos que acabaram sendo transferidos já estavam sendo observados pela direção há mais de um mês, pois, segundo Ivan, eram eles que encabeçavam as indisciplinas.
Silva tranquiliza os moradores de Novo Hamburgo e ressalta que todos os cuidados e medidas de segurança foram tomadas. “Apesar da rebelião, não houve nenhum risco para a comunidade, permanecendo a área segura e o problema sendo resolvido dentro do Presídio, sem sequer a população visualizar os acontecimentos. Moradores apenas perceberam o fato pela cautela que tivemos em isolar totalmente o quarteirão, justamente para impor a segurança para os vizinhos e transeuntes”, finaliza.
FOTO: ilustrativa / SXC

