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Ciência – 2009 é o Ano Internacional da Astronomia

EditorPor Editor9 de fevereiro de 20094 Mins Leitura
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astronomia0209

Da luneta de Galileu à descoberta da matéria escura, a ciência caminhou a passos largos nos últimos quatro séculos. Os telescópios atuais já rompem a barreira do visível. Para alguns cientistas, estamos apenas no início.

Mesmo 400 anos após Galileu Galilei, o universo permanece povoado de enigmas. Desde 1609, quando o célebre astrônomo italiano dirigiu pela primeira vez sua luneta para o céu, os telescópios modificaram radicalmente nossa visão do cosmo; mas também impuseram inúmeras novas questões.

Ao declarar 2009 Ano Internacional da Astronomia, a Organização das Nações Unidas e a União Astronômica Internacional (IAU) celebram o nascimento da exploração científica do cosmo. A inauguração das festividades transcorreu em Paris, no início da segunda quinzena de janeiro. Na Alemanha, os eventos acontecem no Museu de Comunicação de Berlim.

Organizações e cientistas internacionais desejam, nos próximos meses, atrair para o espaço sideral o olhar das pessoas em cerca de 140 países. Observatórios, planetários e instituições científicas de todo o planeta organizam visitas especiais e programas interativos. Segundo o diretor geral da Unesco, Koichiro Matsuura, “o Ano Internacional da Astronomia visa incentivar as pessoas, sobretudo os jovens, a redescobrir o cosmo”.

Com sua luneta, Galileu (1564-1642) descobriu montes na Lua, até então considerada plana, reconheceu que a Via Láctea é uma esteira formada por inúmeras estrelas; e provou que o universo não gira em torno da Terra. Ao observar as luas de Júpiter, ele mostrou que outros corpos celestes também são circundados por satélites, corroborando assim a visão heliocêntrica do mundo proposta por Nicolau Copérnico.

O ano de 1609 marcou outra contribuição decisiva para a astronomia, com a publicação da Astronomia nova de Johannes Kepler (1571–1630). A obra contém as primeiras duas leis keplerianas sobre as órbitas planetárias. No século 18, Friedrich Wilhelm Herschel – um dos mais produtivos construtores da época – duplicou a extensão do universo conhecido ao descobrir o planeta Urano.

Na década de 1920, o astrônomo norte-americano Edwin Hubble provou que várias das manchas leitosas no céu noturno não são parte de nossa Via Láctea: tratando-se, antes, de outras galáxias, vistas a distâncias gigantescas. Para tal, utilizou o maior telescópio então existente. Hubble observou, ainda, que as galáxias se afastam continuamente, o que leva à conclusão de que o universo está em permanente expansão. E recentemente astrônomos notaram que essa expansão está até mesmo se acelerando.

Numerosos cientistas atribuem o fenômeno à misteriosa “energia escura”. “Ninguém sabe o que ela é, só o que causa: como uma espécie de antigravidade, ela dispersa o universo, com velocidade cada vez maior”, explica Gabriele Schönherr, uma das coordenadoras do Ano da Astronomia da Alemanha.

Tão enigmática como a energia escura é a chamada “matéria escura”, cuja massa perfaz cerca de quatro vezes a das estrelas, nebulosas e planetas visíveis, prossegue Schönherr. “O que percebemos através da luz é uma porcentagem mínima, perto de 95% do universo é totalmente impossível de ver.”

Assim, atualmente os astrônomos pesquisam o universo em quase todas as frequências do espectro eletromagnético. Munidos de radiotelescópios, escutam o eco do Big Bang, e à luz da radiação X e gama observam estrelas em explosão e buracos negros.

A viagem espacial possibilitou a construção de observatórios voadores, operando sem interferências do invólucro luminoso da Terra, que esfuma a luz das estrelas e absorve determinadas frequências eletromagnéticas. Deste modo, numa região celeste aparentemente vazia, o telescópio espacial Hubble revelou dez mil galáxias distantes. E a partir da órbita terrestre, o telescópio infravermelho Spitzer revista o cosmo à busca dos ingredientes da vida em jovens sistemas planetários.

O coordenador geral do Ano da Astronomia na Alemanha, Michael Geffert, classifica como “sensacionais” as revelações de Galileu, e define o início da era do telescópio como “um passo adentro de um novo mundo”.

Sobre a astronomia contemporânea, é entusiástico: “Estamos vivendo numa era astronômica muito empolgante. Alguns dizem que estamos apenas no início”. Segundo ele, uma das metas do Ano da Astronomia é permitir que os leigos participem dessa fascinação das descobertas cósmicas.

Deustche Welle

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