
Entenda o porquê da reforma ortográfica, quando e o que muda com este acordo
Com a reforma ortográfica o governo brasileiro pretende simplificar e unificar a grafia entre os diferentes países que falam português. No discurso de assinatura do acordo ortográfico o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, falou: “O acordo ortográfico é o reencontro do Brasil com suas raízes mais profundas. Como avançar sem fortalecer a língua, como produzir bens culturais e didáticos sem uniformidade?”.
As mudanças da língua portuguesa foram despertadas em 1990 entre Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Em 2004, foi assinado um documento diplomático que inseria no grupo dos países de língua portuguesa o Timor Leste.
É possível escrever na antiga ortografia até o dia 31 de dezembro de 2012. A partir de 2013 ficam valendo apenas as novas normas ortográficas.
Principais mudanças
As principais mudanças são o acréscimo de três letras no alfabeto, a extinção do trema, a retirada dos acentos em partes das palavras, além de alterações no uso do hífen.
De acordo com o MEC, os livros escolares estão autorizados a circular em 2009 nas duas grafias, a velha e a nova. Em 2010 as obras deverão circular apenas na nova ortografia, com exceção das reposições de livros.
Fim do trema
O acento é totalmente eliminado. Assim, a palavra freqüente passa a ser escrita frequente. Só nomes estrangeiros como Müller manterão o trema.
Eliminação de acentos em ditongos
Acaba-se o acento nos ditongos “ei” paroxítonas. Assim, idéia vira ideia.
O acento circunflexo quando dois “os” ficam juntos também some. Assim, vôo vira voo.
Cai o acento diferencial
Aquele acento que diferenciava palavras homônimas de significados diferentes acaba. Assim, pára do verbo parar vai ficar apenas para. O acento diferencial permanecerá nos seguintes casos:
Pode (como presente do indicativo) e pôde (no pretérito)
Por (preposição) e pôr (verbo)
A terceira pessoa do plural de ter e vir permanece com acento, assim como suas variações. Eles têm, eles intervêm.
Mudanças nos hífens
Saem à maioria dos hífens em palavras compostas. Assim pára-quedas vira paraquedas.Quanto houver necessidade, será dobrada a consoante. Assim contra-regra vira contrarregra.
Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h como pré-história.
Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da palavra é a mesma, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.
As palavras que têm os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró ficam com o hífen. Portanto, será escrito como antes: ex-presidente, sem-terra, recém-nascido e pós-graduação.
Inclusão de letras
As letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras;
Dupla acentuação
Há algumas diferenças de acentuação entre o Brasil e Portugal principalmente quando se fala do acento circunflexo e agudo. No Brasil se escreve econômico e os portugueses, económico. Essa diferença foi mantida.
