A forte alta verificada em Porto Alegre fez com que a capital gaúcha registrasse o
maior custo para os gêneros alimentícios essenciais (R$ 254,86), com um valor bastante
distanciado das demais cidades.
Em nove capitais onde o DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, o custo dos alimentos essenciais registrou alta acumulada superior a 20,00%, em 2008. Considerando as 16 capitais para as quais existem dados para todo o ano, os maiores aumentos foram apurados em João Pessoa (29,31%), Natal (26,73%), Florianópolis (25,26%) e Fortaleza (24,61%). As menores variações ocorreram em Belém (4,76%), Goiânia (10,61%), São Paulo (11,58%), Belo Horizonte (12,43%) e Aracaju (12,92%).
Em dezembro, todas as 17 localidades pesquisadas registraram alta. As elevações
mais significativas verificaram-se em João Pessoa (14,71%), Aracaju (7,74%), Natal
(7,45%), Porto Alegre (6,64%) e Rio de Janeiro (6,45%). Belém (0,29%), São Paulo
(0,35%), Curitiba e Vitória (ambas com taxa de 0,61%) apresentaram os menores
aumentos. A segunda capital mais cara foi o Rio de Janeiro (R$ 239,78), onde o valor foi bem próximo do apurado em São Paulo (R$ 239,49) e Florianópolis (R$ 239,03). Os menores preços para o conjunto de gêneros alimentícios essenciais foram registrados em Recife (R$ 183,61), Salvador (R$ 193,06) e Aracaju (R$ 193,28).
Com base no custo apurado para a cesta de Porto Alegre, e levando em consideração
a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deveria suprir as
despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação,
vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor
do salário mínimo necessário.
Em dezembro, o menor salário pago deveria ser R$ 2.141,08, ou seja, 5,16 vezes o mínimo em vigor (R$ 415,00). Em novembro, o piso salarial era estimado em R$ 2.007,84, o que corresponde a 4,83 vezes o mínimo nacional. Em dezembro do ano passado, o salário mínimo necessário era de R$ 1.803,11 (4,75 vezes o piso de então, de R$ 380,00).
Com a alta nos preços dos produtos básicos em todas as cidades pesquisadas, o tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta básica na média das 17 localidades correspondeu, em dezembro, a 115 horas e 44 minutos, bem superior ao exigido em
novembro, de 111 horas e 04 minutos. A distância é ainda mais significativa em relação a
dezembro de 2007, quando a jornada necessária era de 106 horas e 36 minutos.
Também na comparação entre o custo da cesta e o salário mínimo líquido – após o
desconto equivalente à Previdência Social – verifica-se o mesmo comportamento, pois a
compra que em dezembro comprometia 57,18% do valor recebido pelo trabalhador, em
novembro exigia 54,88% do total recebido. Em dezembro de 2007, a aquisição dos mesmos
bens necessitava de 52,25% do salário líquido.
Com o início da colheita de alguns grãos, os preços do feijão, da soja e do arroz começaram a apresentar recuo, em dezembro. No entanto, itens, como o tomate, elevaram fortemente o valor da cesta. Todas as 17 capitais pesquisadas registraram queda no preço do feijão, em
dezembro, independentemente de a variedade ser preto ou de cores. Recife (-35,37%),
Fortaleza (-28,13%), Belo Horizonte (-27,12%) e Salvador (-26,04%) – localidades onde o
DIEESE acompanha o preço do feijão de cores – tiveram as maiores retrações. Reduções
inferiores a 10% foram constatadas em quatro cidades nas quais é pesquisado o preço do
feijão preto: Florianópolis (-7,76%), Brasília (-4,63%), Curitiba (-3,73%) e Rio de Janeiro
(-3,72%). O recuo registrado em dezembro contribuiu para que 10 cidades apresentassem
também variações negativas na comparação com os preços apurados em dezembro de 2007.
Em todas é pesquisado o feijão de cores, e os destaques são: Belém (-43,60%), Fortaleza
(-41,34%), Natal (-40,11%) e Recife (-39,32%). Por outro lado, nas localidades onde é
acompanhado o preço do feijão preto ainda foram verificadas altas expressivas, que
variaram entre 36,55%, em Vitória e 68,13%, em Brasília.
O preço do óleo de soja caiu em 15 capitais, em especial em Aracaju (-15,58%),
Vitória (-9,00%), Brasília (-7,09%) e Rio de Janeiro (-6,89%). Apenas em Curitiba (0,69%)
e Recife (2,65%) foram constatadas elevações. O movimento de redução do preço do óleo
já vem ocorrendo nos últimos meses, o que fez com que, mesmo que ainda sejam
registradas altas em 12 meses, já existam localidades com variação negativa. Dez capitais
apresentam alta em relação a dezembro de 2007, sendo que em quatro delas o aumento é
superior a 10%: Florianópolis (11,64%), Fortaleza (11,63%), Salvador (11,45%) e Belo
Horizonte (10,04%). Dentre as seis localidades onde houve recuo, os destaques são Aracaju
(-7,54%) e Goiânia (-5,18%).
Em dezembro, o arroz apresentou queda em 11 cidades, com as taxas mais significativas apuradas em Belém (-2,93%), São Paulo (-2,86%), Recife (-2,30%) e Fortaleza (-2,25%). Houve estabilidade em Goiânia e alta em outras cinco, em especial, em Aracaju (6,11%) e Porto Alegre (3,23%). Na comparação com dezembro de 2007, o produto ainda está mais caro em todas as 16 capitais para as quais existem informações do período, com aumentos que se situam entre 25,00%, em Curitiba, e 49,62%, em Fortaleza.
A maior oferta, resultante da boa safra do produto, deve contribuir para a redução de preços. A principal preocupação fica por conta da seca que atinge o Rio Grande do Sul, principal estado produtor do arroz agulhinha. Também o açúcar apresentou predomínio de queda em dezembro, comportamento apurado em nove capitais, com destaque para Aracaju (-6,87%), Curitiba (-6,20%) e Salvador (-5,83%). Em Goiânia, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e João Pessoa houve estabilidade, enquanto São Paulo (0,78%), Natal (1,74%), Manaus (1,98%) e Brasília (2,05%) tiveram variações positivas. O final da colheita da cana no Centro-Sul do país, e em especial, em São Paulo, permitiu a redução no preço do açúcar. No entanto, na
comparação com dezembro de 2007, 13 localidades registram valor mais elevado agora, com destaque para Natal (19,39%), Florianópolis (19,20%), Recife (16,16%) e Fortaleza
(15,46%). Em Vitória, o preço é igual em dezembro, nos dois anos, enquanto em Belém
(-16,56%) e Aracaju (-31,07%), houve retração. Boa parte da alta verificada para o produto
decorre do comportamento do câmbio, com a elevação da paridade dólar/real.
O produto que registrou os maiores aumentos e responsável pelo comportamento
altista da cesta, em dezembro, foi o tomate – item sempre sujeito a forte oscilação de preço.
Elevações exageradas foram anotadas em capitais do Nordeste como João Pessoa
(167,84%), Aracaju (135,56%), Recife (120,49%), Natal (100,57%) e Fortaleza (82,95%).
Estes aumentos foram motivados por chuva em regiões produtoras e alta nos preços dos
fertilizantes e adubos no período do plantio, resultando em extraordinárias variações anuais.
Mais uma vez, as taxas mais expressivas foram verificadas nas capitais nordestinas: João
Pessoa (282,72%), Recife (240,51%), Natal (225,00%), Aracaju (181,42%), Fortaleza
(172,88%) e Salvador (161,39%).
Dez capitais registraram alta no preço do leite, com destaque para Florianópolis (5,21%), João Pessoa (4,46%) e Rio de Janeiro (4,12%). Em São Paulo e Natal houve estabilidade. Dentre as cinco cidades com retração, as mais significativas ocorreram em Vitória (-3,00%), e Brasília (-2,37%). Em 12 meses, 11 capitais apresentaram aumento, em particular Belém (20,88%) e Florianópolis (15,54%). Nesta última cidade, a alta foi consequência das enchentes que afetaram grande parte de Santa Catarina. Das cinco capitais onde houve queda na variação anual, a maior redução foi apurada em Salvador (-13,79%). Se as chuvas não causarem maiores estragos, o preço do leite deve cair nos próximos meses devido ao crescimento da produção.
Também o café registrou alta em 10 capitais, em dezembro. Curitiba (3,44%), São
Paulo (2,94%) e Recife (2,92%) tiveram as maiores variações, enquanto as principais
quedas foram apuradas em Florianópolis (-5,53%) e João Pessoa (-2,18%). Nos últimos 12
meses, aumentos foram verificados em 11 localidades, especialmente em Fortaleza (16,00%), Belém (11,58%) e Aracaju (13,68%). Vitória (-5,24%), Porto Alegre (-3,95%) e
Brasília (-3,71%) tiveram os recuos mais significativos. A expectativa de uma boa safra
pode favorecer o barateamento do café. No entanto, como se trata de produto exportado, a
valorização do dólar pode frustrar uma queda maior.
A carne, produto de maior peso na cesta básica, não apresentou tendência específica, em dezembro, com alta em oito capitais, redução em sete e estabilidade em São Paulo e Brasília. Os principais aumentos foram registrados em Porto Alegre (4,09%) e Florianópolis (4,04%) enquanto as maiores retrações ocorreram em Aracaju (-6,85%) e Vitória (-2,75%). Em 12 meses, porém, houve elevação generalizada, com altas entre 6,73%, em Belém, e 38,23%, em Fortaleza. A principal justificativa para este comportamento é o câmbio, pois, o produto é exportado para muitos paises.
A intensidade das chuvas em diferentes estados pode gerar uma expectativa pessimista para os próximos meses. Isto porque fortes inundações têm atingido regiões produtoras de alimentos como Santa Catarina, Minas Gerais, Espírito Santo e estado do Rio de Janeiro. Além disso, o oeste de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul estão enfrentando problemas decorrentes da seca, o que também pode resultar em aumento nos preços dos produtos agrícolas.
