Comusa descobre ligação irregular em prédio no bairro Canudos onde funcionou casa de bailes do vereador mais votado em Novo Hamburgo.
A manhã da última quinta-feira, dia 18, poderia ter sido apenas mais uma para Leandro Severo, funcionário da Companhia Municipal de Saneamento – Comusa. Poderia se ele não estivesse destacado para verificar ligação irregular de água em um prédio onde até meses atrás funcionava uma casa de bailes mantida por Sérgio Hanich, vereador mais votado de Novo Hamburgo pelo PMDB em outubro. Ao chegar no local – Rua Ícaro, 2000, bairro Canudos -, Severo encontrou o lacre de corte de abastecimento rompido e um dispositivo clandestino instalado para burlar o sistema de contabilidade de consumo. “Tentaram colocar um prego dentro do hidrômetro para evitar que descobríssemos a irregularidade”, explica o funcionário da Comusa.
A matrícula junto a Comusa está em nome de João Pires da Silva Filho e o atual responsável pelo aluguel do imóvel identificou-se apenas como João Carlos. Ele diz que desconhecia a irregularidade e que sequer utilizava água da Comusa. “Tenho poço artesiano. Isso deve estar aí desde o tempo do Sérgio da Prefeitura”, afirma João Carlos, referindo-se a Sérgio Hanich, popularmente conhecido como Serjão do Águia. “Eu pagava apenas uma taxa. Parei de pagar faz uns dois meses”. Segundo Leandro Severo, o abastecimento de água no prédio foi cortado por falta de pagamento dia 13 de novembro. Uma semana depois, na vistoria realizada no local, não havia problemas. O consumo nos dias seguintes, no entanto, chamou atenção da Comusa.

A irregularidade
As condições do prego encontrado dentro do hidrômetro apontam para a possibilidade de ter sido instalado há bastante tempo. É o que defende o atual locatário. “Eu nem sabia da existência desse prego. Ele estava aí antes de eu alugar o prédio”. João Carlos alugou o imóvel há aproximadamente seis meses. Conforme registros da Comusa, nos três meses anteriores ao corte – agosto, setembro, outubro – o consumo foi de 40 metros cúbicos. Somente nas três semanas em que o lacre foi rompido já chegava a quase 50 metros cúbicos. A Companhia Municipal de Saneamento deve agora cortar o abastecimento direto na rede e multar o responsável pelo imóvel.
